Terça-feira, 21/04/26

Aumenta o número de pessoas que moram sozinhas no DF

Aumenta o número de pessoas que moram sozinhas no DF
Aumenta o número de pessoas que moram sozinhas no DF – Reprodução

Cresceu de 13,9% para 19,9% o percentual de pessoas morando sozinhas no Distrito Federal. Segundo dados da PNAD Contínua 2025, domicílios unipessoais são habitados principalmente por adultos de 30 a 59 anos (52,9%), com presença expressiva de idosos (32,2%). O levantamento apontou ainda, que entre as mulheres, a maioria das que moram sozinhas têm 60 anos ou mais de idade (49,5%).

Segundo a pesquisa, a rotina de habitação do brasiliense mudou bastante entre 2012 e 2025. Os dados apontam que o percentual de casas com apenas um morador era significativamente menor no início da década passada. Mesmo que as famílias tradicionais, formadas por casais com ou sem filhos, ainda representem a maioria dos lares no DF (64,8%), esse modelo vem perdendo espaço para a busca por autonomia e independência.

De acordo com a PNAD 2025, ao analisar os 19,9% da população que decidiu morar sozinha, os homens aparecem como maioria absoluta, ocupando 56,9% das residências unipessoais, enquanto 43,1% das mulheres buscaram a independência. Dentro deste grupo, a concentração maior está na fase adulta: 62,6% dos homens que vivem sós têm entre 30 e 59 anos. Já por parte do público feminino, a maturidade se destaca, uma vez que a maioria das mulheres que moram sozinhas já ultrapassou os 60 anos (49,5%).

Queda no arranjo nuclear

O DF está vivendo um avanço das moradias individuais, mas o arranjo nuclear – formado por casais com ou sem filhos e famílias monoparentais — continua sendo o mais comum, alcançando 64,8% dos lares em 2025. Mas essa fórmula tem diminuído desde 2012, quando esse modelo era maior, representando 67,1% das residências da capital.

Sandra Meireles Rodrigues 

As famílias estendidas, onde o responsável divide a casa com pelo menos um parente além do núcleo básico também apresentaram uma queda, com 13,6% em 2025, uma redução de 2,6 pontos percentuais em comparação a 2012.

No seu tempo e espaço

A professora Sandra Meireles Rodrigues, 55 anos, faz parte da porcentagem de mulheres que buscou a independência de uma moradia solo. Ela mora no Guará desde 2021, uma região que considera muito segura. Quando era mais nova, já tinha morado sozinha e, depois, ficou 17 anos casada, morando junto com o marido. Ela não tem filhos, mas hoje considera que não mora exatamente sozinha: “Minha cachorra mora comigo e Deus sempre anda comigo”.

Ela gosta da rotina de ter seu próprio espaço e tempo. “É uma rotina sossegada, eu faço o que eu quero, eu acordo — ou eu acordava — a hora que eu queria”, brincou. Sandra considera que, como mora com a Pandora, a cachorrinha que veio morar com ela depois da morte da mãe em 2024, ela tem que acordar a hora que a cadela quer; a rotina das duas já é toda bem definida. “Eu costumo falar para as pessoas que não têm cachorro que elas adotem, porque eles precisam de amor, carinho e um lar. Minha cachorrinha me faz levantar, andar e alegra meu dia. Ela faz a maior festa quando eu chego em casa depois de um dia muito corrido”, acrescentou.

Sandra conta que é muito ativa e está sempre ocupando a mente com compromissos, exercícios, estudos e coisas que preencham sua rotina. Ela destaca que, embora more sozinha, não está isolada do mundo, por isso sempre conta com sua rede de apoio nas amigas, família e igreja. “Tenho meu apoio emocional e espiritual”. Para ela, é importante conservar esse equilíbrio de ter o espaço pessoal e ter seus momentos em contato com quem ama. “Eu poderia, de repente, chamar alguém para dividir moradia comigo, mas primeiro que eu consigo bancar. Esse espaço é meu, não é alugado”.

A professora acredita que morar junto é um aprendizado e é muito grata às amigas que dividiram apartamento com ela anteriormente, assim como sua época de casada a ensinou muito. Mas, ao morar sozinha, vive agora outro aprendizado: o de aproveitar a própria companhia. “Às vezes você chega em casa e só quer descansar. Quer ouvir uma música, ler um livro, assistir uma série e ficar sozinha, e isso me faz muito bem, muito feliz”, disse. Sandra completou afirmando que não teve filhos e nem muitas obrigações que as mulheres culturalmente têm. “Eu sou uma mulher do lar, mas do meu lar eu faço meu tempo do jeito que eu quiser”.

T LB

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