O reconhecimento internacional só veio após Garofalo superar falhas de infraestrutura na escolha onde trabalhava, na Zona Sul de São Paulo, e ensinar aos alunos que a tecnologia pode ser mais que um brinquedo e virar uma ferramenta para solucionar problemas reais.
Quando eu cheguei na escola, em 2015, os estudantes olhavam para a tecnologia como um espaço de entretenimento. Ainda é comum os nossos estudantes terem essa concepção e olhar a tecnologia apenas para consumir e não para produzi-la. Isso começou a me causar uma inquietação muito grande. Na educação a gente trabalha esse potencial como objeto de conhecimento no desenvolvimento de habilidades e competências. O trabalho teve esse norte de sair daquela caixinha fechada, de falar que ensino de robótica, de programação, era um ensino muito concentrado dentro de um kit específico.
Débora Garofalo
Antes do projeto, os alunos viviam faltando às aulas da EMEF Almirante Ary Parreiras, na Vila Babilônia, que fica no bairro do Jabaquara, zona sul de São Paulo. Entre os estudantes da escola, estão moradores de quatro favelas da região (Alba, Vietnã, Beira Rio 1 e Beira Rio 2).
Quando a professora perguntou, eles explicaram: o lixo ao redor da escola os impedia de frequentar as aulas. A partir daí, Garofalo uniu a necessidade ao seu objetivo pedagógico: com materiais recicláveis e lixo eletrônico, ela passou a ensinar robótica e programação, sem depender de kits prontos e caros.
Para Diogo Cortiz, a abordagem materializou a tecnologia para os jovens, num momento em que muita coisa parece surgir de forma mágica para quem usa ferramentas digitais.
A professora conta que, no começo, as crianças criaram objetos que gostariam de ter, como barco, avião e carrinho. Depois, passaram a construir objetos ligados ao território educativo. Vieram sensores no córrego para alertar a comunidade em dias de chuva, temporizador para reduzir o gasto de energia da escola e semáforo inteligente para pessoas com deficiência visual atravessarem a rua.








