O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) apresentou, nesta semana, oito filhotes de golden retriever que iniciarão a jornada para se tornarem cão-guia. A apresentação dos animais — Duda, Delta, Dacota, Dora, Dom, Dante, Draco e Dexter — coincide com o Dia Internacional do Cão-Guia, celebrado na última quarta-feira de abril, e reforça a importância desses animais para a inclusão de pessoas com deficiência visual.
A “ninhada D” nasceu no Centro de Treinamento de Cães do CBMDF, a partir de um cruzamento entre cães com familiaridade para o trabalho. Os nomes seguem uma logística de controle, pois, sendo a quarta ninhada, todos começam com a quarta letra do alfabeto. São quatro fêmeas e quatro machos, filhos da cadela Áquila e do cão Fred. Nos próximos meses, eles serão encaminhados para famílias socializadoras voluntárias, responsáveis por uma etapa essencial do processo de formação.
O papel das famílias no treinamento do cão-guia
A experiência da socialização
O processo seletivo para participar do projeto com a socialização dos filhotes avalia o ambiente e o comprometimento de todos os integrantes da casa. Entre as famílias socializadoras do programa está a da servidora pública Roseliza Honda, 51, que cuida do pastor alemão Argos, que está para completar 8 meses de idade.
Roseliza explica que o processo de socialização começa após o ciclo vacinal e exige exposição gradual a diferentes estímulos, sempre respeitando o tempo do animal. A rotina inclui passeios em ambientes variados, com atenção a locais movimentados, sons e interações com pessoas. “O papel da família é justamente esse: socializar. Levar para todos os ambientes possíveis, fazer ele viver diferentes situações. A gente vai aos poucos, leva em horários mais tranquilos no começo, adapta no metrô, shopping, consultórios e ele vai evoluindo”, relata.
Apesar do avanço na aceitação dos cães-guia, a servidora aponta que ainda há desafios relacionados ao desconhecimento ou discriminação da população sobre o papel desses animais. Situações envolvendo outros tutores de pets e questionamentos sobre o acesso a estabelecimentos ainda são comuns, ainda que haja identificação dos tutores e do animal de serviço, além da proteção pela Lei nº 11.126/05, conhecida como a Lei do Cão-guia.
Roseliza ressalta o suporte oferecido pelo Corpo de Bombeiros durante todo o período de socialização, com equipes que fornecem orientação, acompanhamento técnico e custeio de despesas como alimentação do animal e cuidados veterinários. A tutora temporária afirma que o maior receio de quem pensa em participar do projeto ainda é o apego ao animal. “Eu sempre falo: é como filho, a gente cria para o mundo. Vai doer quando ele for embora, claro, mas é uma dor boa. Você sabe que preparou ele para ajudar alguém que realmente precisa e eles vão fazer uma diferença muito grande na vida da pessoa”, completa.
Etapas do treinamento específico para cão-guia
Resultados e metodologia
Segundo o major João Gilberto Silva Cavalcanti, à frente do projeto no CBMDF, a ação já apresenta resultados e deve ampliar o número de atendimentos nos próximos meses. Ele afirma que atualmente há 14 cães em socialização com famílias e dez deles retornam em junho para a fase de treinamento.
“Desde o retorno do projeto, em agosto de 2025, já entregamos dois cães: o Bento e o Tom, que chegaram adultos por meio de doação, com um ano de idade. Após treinamento e adaptação com os usuários, hoje conduzem pessoas com deficiência visual aqui no DF”, explica o militar.
Os cães permanecem com as famílias socializadoras de 10 meses a um ano. Após esse período, retornam ao centro de treinamento, onde passam cerca de oito meses em preparação técnica específica para atuar como cães-guia. A metodologia aplicada, de origem canadense, foi aprendida por militares em intercâmbio internacional e permite que os cães sejam treinados para fazer qualquer trajeto necessário, com uma adaptação de cerca de 40 dias entre o cão e o novo tutor.
Com a inauguração do Centro de Treinamento de Cães, o serviço ocupa um patamar de referência nacional na formação de cães de assistência, em um espaço que já prepara os animais para auxiliar pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e deficientes visuais. Os animais formados no CBMDF são destinados com base em uma lista de espera e, após a entrega, a responsabilidade pelos cuidados com o animal passa a ser do usuário, embora a equipe mantenha um acompanhamento.








