A gente está falando de crianças que vivem em comunidades extremamente carentes, e sabe que, em algumas delas, é muito comum ter os chamados gatos de energia elétrica. Dois estudantes meus relataram que, em um dos incêndios na comunidade, perderam a irmãzinha. Ela era deficiente e não conseguiu sair a tempo. Nem eles conseguiram tirá-la. E, ao criar o temporizador de energia, era justamente para evitar problemas de sobrecarga no sistema elétrico, para desativar a energia e não acontecer incêndios (…) Então vejam: a gente está falando de crianças de 12 anos de idade, pensando em soluções muito maiores para problemas que eles enfrentam diariamente do cotidiano.
Débora Garofalo
Ela conta que a escola articulou que uma empresa assessorasse os adolescentes para criarem outros aparelhos e os instalassem na comunidade.
É triste, mas, ao mesmo tempo, a gente vê que essas crianças também utilizam dessa tecnologia para pensar soluções para dores que eles enfrentaram.
Débora Garofalo
O caso dos dois irmãos não é de todo isolado. A professora levou para dentro da sala de aula a necessidade de aprender a criar tecnologia com recursos escassos para criar soluções.
Vieram sensores pluviométricos para medir o nível de um córrego atrás da escola e um semáforo para ajudar pessoas com deficiência visual a atravessar a rua.
Para Débora, o foco na educação não é “formar programador”, mas fazer o estudante entender o que está por trás do código e do algoritmo -e usar esse repertório para criar soluções que melhorem a sua vida e a da sua comunidade.







