Sexta-feira, 01/05/26

Ministério Público do Rio faz operação contra nova cúpula do jogo do bicho

Ministério Público do Rio faz operação contra nova cúpula do jogo do bicho
Ministério Público do Rio faz operação contra nova cúpula do – Reprodução

O Ministério Público do Rio de Janeiro realiza nesta quinta-feira (30) uma operação contra um grupo apontado como a nova cúpula do jogo do bicho e que atua na zona oeste da capital.

A investigação mira os suspeitos de explorar máquinas caça-níqueis e bingos clandestinos na região.

Segundo os promotores, a organização seria chefiada por Marcos Paulo Moreira da Silva, conhecido como Marquinho Sem Cérebro, que já está preso.

A reportagem tenta identificar a defesa dele.

Ex-fuzileiro naval, Marquinho teria ganhado espaço dentro da contravenção como líder do braço armado da quadrilha do bicheiro Fernando de Miranda Iggnácio, morto a tiros em novembro de 2020, no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes.

Além das suspeitas atuais, Marquinho foi condenado neste mês a 22 anos e 2 meses de prisão por um homicídio cometido em 2011, também em Bangu. Segundo a denúncia do Ministério Público, a vítima, Antônio Marcos Duarte Barros, foi atraída ao local sob o pretexto de fazer uma entrega de botijões de gás e acabou morta a tiros.

De acordo com a investigação, o crime ocorreu em meio a uma disputa pelo controle do comércio de gás na região. Marquinho integraria um grupo que impunha domínio econômico sobre comerciantes locais, com ameaças e intimidação. A vítima teria sido morta após se recusar a comprar produtos do esquema.
O júri considerou que o assassinato foi cometido por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima.

De acordo com o Ministério Público, após a morte de Iggnácio, Marquinho assumiu protagonismo na exploração do jogo ilegal em Bangu. A apuração aponta que o grupo estaria envolvido não só com jogos de azar, mas também com lavagem de dinheiro e uma série de homicídios registrados na região a partir de 2021.

Ao todo, foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão em bairros como Bangu, Senador Camará e Realengo. As decisões têm como objetivo apreender documentos, armas e equipamentos usados na exploração das atividades ilegais.

A morte de Iggnácio é considerada um marco na disputa recente pelo controle do jogo do bicho no Rio. Genro de Castor de Andrade, ele dividia o domínio da contravenção com Rogério de Andrade, sobrinho do bicheiro, até que os dois romperam e passaram a disputar território.

Rogério está preso no Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, desde outubro de 2024, acusado de matar o rival.

No inquérito sobre a morte de Iggnácio, a polícia apontou as supostas motivações de Rogério para o crime, traçando um histórico do jogo do bicho e da criminalidade no Rio. As razões apontadas incluiriam o controle de atividades ilícitas e o desejo de vingança pela morte de seu filho adolescente.

T LB

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