Sexta-feira, 01/05/26

Israel intercepta flotilha para Gaza e detém pelo menos 175 ativistas

Israel intercepta flotilha para Gaza e detém pelo menos 175 ativistas
Israel intercepta flotilha para Gaza e detém pelo menos 175 – Reprodução

O Exército israelense interceptou, nesta quinta-feira (30), em frente à costa da Grécia, parte de uma flotilha de embarcações com ajuda para Gaza e prendeu dezenas de militantes pró-palestinos que serão levados para a Grécia.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou a detenção de 175 pessoas em cerca de 20 embarcações. Os organizadores da flotilha, que contava com mais de 50 barcos, reportaram que este número era de 211 ativistas.

O chanceler israelense, Gideon Saar, anunciou no X que os ativistas “serão levados para a Grécia nas próximas horas”, após um acordo com o governo deste país.

Itália e Alemanha afirmaram estar acompanhando a situação com “preocupação”, e a França pediu “a todas as partes” que respeitem o direito internacional.

Por sua vez, o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, acusou Israel de “violar a lei internacional” com seu gesto.

“Israel volta a violar a lei internacional ao abordar uma flotilha civil em águas que não lhe pertencem. Nosso governo está fazendo todo o necessário para proteger e prestar assistência aos espanhóis detidos”, afirmou Sánchez.

Os quatro países asseguraram ter cidadãos entre os militantes, que pretendiam levar ajuda humanitária a Gaza, cujos acessos continuam restritos apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro.

As autoridades israelenses controlam todos os pontos de entrada em Gaza e foram acusadas pela ONU e por ONGs estrangeiras de impedir a entrada de bens no território.

Tais restrições e os dois anos de guerra entre Israel e o Hamas, deflagrada em outubro de 2023, resultaram em uma grave escassez na Faixa.

“Sequestrados”

Durante a noite, a flotilha ‘Global Sumud’ havia afirmado que no X que algumas de suas embarcações haviam sido abordadas “por lanchas militares cujos ocupantes se identificaram como sendo de ‘Israel’”.

Acrescentou que os ocupantes foram “apontados com lasers e armas de assalto semiautomáticas” e que os soldados “ordenaram aos participantes que se agrupassem na parte dianteira dos barcos e ficassem de quatro”.

Foram “sequestrados” por Israel, denunciou em entrevista coletiva a organizadora Yasmine Scola, que está a bordo de um dos barcos não interceptados. Segundo ela, a embarcação transporta material escolar e alimentos.

Já as autoridades israelenses disseram ter encontrado preservativos e cocaína a bordo. Também afirmaram que os militantes “se divertiam” nas embarcações israelenses após a sua captura e divulgaram imagens de pessoas fazendo rodas ou pirâmides humanas.

Cerca de trinta continuam a caminho de Gaza; a maioria já se encontra em águas territoriais gregas, ao sul de Creta, segundo a mesma fonte.

Durante a coletiva de imprensa, os organizadores afirmaram desconhecer o que os outros navios pretendiam fazer.

“Ação precoce”

“A operação foi realizada em águas internacionais, pacificamente, sem fazer vítimas”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Oren Marmorstein.

“Devido ao grande número de embarcações que participam da flotilha, ao risco de escalada e à necessidade de impedir a violação de um bloqueio legal, impunha-se uma ação precoce”, acrescentou.

A Anistia Internacional criticou Israel, alegando que sua Marinha “percorre centenas de milhas náuticas para impedir que barcos civis que transportam comida, leite infantil e material médico cheguem aos palestinos”.

Segundo a ONG, isso “demonstra até onde Israel está disposto a ir para manter seu bloqueio cruel e ilegal”.

Esta flotilha partiu nas últimas semanas de Marselha (França), Barcelona (Espanha) e Siracusa (Itália).

Uma primeira tentativa em 2025, com ativistas como Greta Thunberg e algumas figuras de países latino-americanos, como o brasileiro Thiago Ávila, foi interceptada. Os membros da tripulação foram presos e expulsos por Israel, que rejeitou ter praticado maus-tratos, como denunciado pelos ativistas.

A Faixa de Gaza, governada pelo movimento islamista palestino Hamas, está submetida a um bloqueio israelense desde 2007.

A devastadora guerra desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas em território israelense em 7 de outubro de 2023 provocou uma grave escassez de alimentos, água, medicamentos e combustível.

Desde o início de um precário cessar-fogo entre as partes em outubro, o Exército israelense controla mais da metade do pequeno território costeiro palestino, onde o acesso da ajuda humanitária continua restrito.

T LB

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