Sábado, 02/05/26

ONU Mulheres alerta para avanço da violência online contra jornalistas mulheres

ONU Mulheres alerta para avanço da violência online contra jornalistas mulheres
ONU Mulheres alerta para avanço da violência online contra jornalistas – Reprodução

Um relatório lançado pela ONU Mulheres, em parceria com TheNerve e outras organizações, intitulado ‘Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA’, revela dados alarmantes sobre a violência digital contra mulheres defensoras de direitos humanos, ativistas, jornalistas e outras comunicadoras públicas.

De acordo com o documento, 12% das entrevistadas relataram ter sofrido o compartilhamento não consensual de imagens pessoais, incluindo conteúdo íntimo ou sexual. Além disso, 6% das mulheres afirmaram ser vítimas de deepfakes, e quase uma em cada três recebeu investidas sexuais não solicitadas via mensagens digitais.

A violência online tem levado a impactos significativos na vida profissional e pessoal das vítimas. O relatório indica que 41% das mulheres se autocensuram nas redes sociais para evitar abusos, enquanto 19% relatam autocensura em seu trabalho profissional. Entre as jornalistas e trabalhadoras da mídia, 45% manifestaram autocensura nas redes sociais em 2025, um aumento de 50% em comparação a 2020. Quase 22% dessas profissionais também relataram autocensura em suas atividades laborais.

Os organizadores do estudo destacam que esse tipo de abuso é frequentemente deliberado e coordenado, com o objetivo de silenciar mulheres na vida pública, minando sua credibilidade profissional e reputação pessoal. Há, no entanto, um aumento na busca por responsabilização: em 2025, 22% das jornalistas e trabalhadoras da mídia têm probabilidade de denunciar incidentes à polícia, dobrando o índice de 11% registrado em 2020. Da mesma forma, quase 14% estão tomando medidas legais contra os perpetradores, facilitadores ou empregadores, contra 8% em 2020.

Os efeitos na saúde mental são graves. Cerca de 24,7% das jornalistas e trabalhadoras da mídia entrevistadas foram diagnosticadas com ansiedade ou depressão relacionada à violência online, e quase 13% relataram transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Kalliopi Mingerou, chefe da Seção de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres, enfatizou que a inteligência artificial está facilitando e intensificando esses abusos. ‘Isso está alimentando a erosão de direitos duramente conquistados em um contexto marcado pelo retrocesso democrático e pela misoginia em rede. Nossa responsabilidade é garantir que sistemas, leis e plataformas respondam com a urgência que essa crise exige’, afirmou.

O relatório também aponta falhas na proteção legal global. Menos de 40% dos países possuem leis em vigor para proteger mulheres contra assédio ou perseguição virtual, segundo dados do Banco Mundial. Como resultado, 1,8 bilhão de mulheres e meninas em todo o mundo, o que representa 44%, continuam sem acesso à proteção legal contra essa forma de violência.

Com informações da Agência Brasil

T LB

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