Quinta-feira, 07/05/26

Tribunal inglês rejeita recurso da BHP no caso do desastre de Mariana

Tribunal inglês rejeita recurso da BHP no caso do desastre de Mariana
Tribunal inglês rejeita recurso da BHP no caso do desastre – Reprodução

O Tribunal de Apelação da Inglaterra rejeitou nesta quarta-feira (6) um novo recurso apresentado pela mineradora BHP relacionado ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em 2015.

A decisão preserva a sentença de novembro de 2025 do Tribunal Superior inglês, que responsabilizou a empresa anglo-australiana pelo desastre ambiental. Os juízes apontaram que a BHP, sócia da Vale na gestão da Samarco, operava a barragem e tinha conhecimento dos riscos prévios ao rompimento, configurando negligência, imprudência ou imperícia.

No dia 5 de outubro de 2025, a tragédia completou dez anos. O colapso da barragem despejou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de resíduos tóxicos e lama no rio Doce, atingindo municípios próximos e resultando na morte de 19 pessoas.

Com o esgotamento das vias ordinárias no sistema jurídico inglês, o processo avança para a Fase 2, que avaliará as categorias de perdas e quantificará os danos sofridos pelas vítimas, com audiência prevista para abril de 2027. A BHP havia solicitado permissão para apelar, mas o tribunal concluiu que não há razões convincentes para prosseguir.

O escritório de advocacia Pogust Goodhead, que representa as vítimas na Inglaterra, celebrou a decisão. “O Tribunal de Apelação agora se uniu ao Tribunal Superior ao concluir que os fundamentos de apelação da BHP não têm perspectivas reais de sucesso. Um resultado enfático e inequívoco”, afirmou Jonathan Wheeler, sócio do escritório. Ele destacou que os clientes esperaram mais de uma década por justiça e que as vias processuais da BHP estão esgotadas, com foco agora nas indenizações para centenas de milhares de brasileiros.

Em nota, a BHP Brasil informou que continua apoiando a Samarco para uma reparação justa e integral, defendendo-se robustamente no processo inglês. A empresa expressou confiança no Novo Acordo do Rio Doce, assinado em outubro de 2024 e que prevê R$ 170 bilhões para reparações, considerando-o a solução mais rápida e eficiente. Segundo a BHP, o acordo já beneficiou mais de 625 mil pessoas com pagamentos. Além disso, a Corte inglesa reconheceu em 2024 os programas de indenização, validando quitações e excluindo cerca de 40% dos reclamantes individuais do processo no Reino Unido, o que reduzirá o escopo dos pedidos. As informações foram retiradas da Agência Brasil.

T LB

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