Quinta-feira, 07/05/26

Alunas da rede pública do DF se destacam no Dia Nacional da Matemática

Alunas da rede pública do DF se destacam no Dia Nacional da Matemática
Dia da Matemática: quando o medo dá lugar à celebração – Reprodução

Projetos e alunas celebram o Dia Nacional da Matemática

Em comemoração ao Dia Nacional da Matemática, celebrado nesta quarta-feira (6), alunas da rede pública de ensino do Distrito Federal demonstram como o incentivo de projetos escolares transforma o medo da disciplina em paixão e medalhas. A data foi instituída em 2013 em homenagem ao nascimento de Malba Tahan, escritor e educador que buscou mostrar um lado encantador para a matéria.

Iniciativas que despertam talentos

Com o auxílio de professores, o medo da matéria deu lugar à paixão. Esse é um dos objetivos do projeto Vamos Estudar Matemática (VEM), do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 213 de Santa Maria. “Nosso foco principal é despertar o interesse pela matemática e descobrir talentos nessa área”, afirma Leonardo Gonçalves Martins, professor e coordenador do VEM. Desde 2015, o projeto incentiva estudantes a participar de olimpíadas científicas, especialmente na área de exatas.

Rafaela Iasmin Sampaio Castro, 13 anos, aluna do 8º ano do CEF 213, é um desses talentos. “Eu não tinha muita facilidade”, lembra. No sexto ano, ao participar pela primeira vez da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), ela passou da primeira fase e conquistou o bronze nacional e a prata regional. Pelo Projeto VEM, foi além, ganhando a prata nacional e o ouro regional no ano seguinte. “Eu gostaria de ir para a área de exatas e ser professora para ensinar os outros”, diz.

Já a trajetória de Maria Clara Pereira de Freitas, 14 anos, do CEF Polivalente, começou antes de entrar na escola, com competições familiares para decorar a tabuada. No sexto ano, orientada pela professora Letícia Fiúsa, inscreveu-se pela primeira vez nas olimpíadas científicas. No futuro, ela vislumbra seguir na área da arquitetura ou engenharia.

Aluna do CEF 102 Norte, Emília Coelho Gunther, 14 anos, também tem facilidade com a matéria. “Desde o maternal, eu tenho essa facilidade”, relata. Sua primeira OBMEP, no sexto ano, lhe rendeu a segunda maior nota da escola na primeira fase. Depois, vieram os estudos com o professor Rodolfo Ferreira e as medalhas.

Para o professor e pesquisador Geraldo Eustáquio Moreira, da Universidade de Brasília, o medo da matemática foi construído socialmente. “Frases como ‘isso não é pra mim’ ou ‘sou de humanas’ reforçam bloqueios que se acumulam ao longo de toda a trajetória escolar, num efeito cascata. Quando mudamos a forma de ensinar, valorizando o erro como parte do processo e conectando a matemática à vida, esse medo vai dando lugar à curiosidade e à aprendizagem”, avalia.

O universo feminino na matemática

As alunas são desbravadoras de um universo ainda considerado majoritariamente masculino. Estudos indicam que, apesar do aumento da participação feminina em cursos de matemática, ciência e tecnologia, a maioria do ingresso é de homens. As estatísticas da OBMEP mostram uma diminuição da participação feminina nas premiações conforme o nível avança.

Os dados das premiações de 2025 das escolas públicas do DF indicam que, no Nível 1 (6º e 7º anos), as meninas representaram 47% dos premiados. No entanto, essa participação cai para 34% no Nível 2 (8º e 9º anos) e para 31% no Nível 3 (ensino médio).

Por isso, referências são essenciais. Emília destaca o convívio com a professora Rafaela Cordeiro. “Ela é mulher na matemática. Ela sabe dessa dificuldade e foi uma pessoa que me ajudou muito na minha jornada”, ressalta.

Ceilândia: garimpo e fábrica de talentos

A Escola Classe (EC) 64 de Ceilândia é uma das mais premiadas da rede pública do DF em olimpíadas científicas. Por sua Sala de Recursos Específica (SRE), espaço dedicado a alunos com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), já passaram diversos prodígios em matemática, sob a orientação do professor Marlon Santos.

Emily Súzany dos Santos Nogueira, 15 anos, do 1º ano do ensino médio, é um dos prodígios da EC 64. Ela entrou na SRE aos 8 anos, após a professora Daniela Leal identificar seu talento. “Eu sinto falta de uma presença feminina. Essa é a turma que mais tem menina, e só tem três”, observa. “Estou aqui justamente para inspirar outras meninas, e elas vão inspirar as próximas”.

A irmã de Emily, Ellen Ayla dos Santos Nogueira, 13 anos, também foi inspirada. O desenho foi sua porta de entrada na SRE, e a matemática veio depois. “Eu me apaixonei, achei muito legal. Aqui na SRE, você se sente acolhida e consegue desenvolver suas habilidades com pessoas que têm interesses parecidos com os seus.”

Clara Luciana Brandão, 12 anos, do 7º ano, sempre gostou da disciplina. “Eu sempre gostei muito de matemática, porque achava muito fácil, mais fácil que as outras matérias. É calcular, lembrar, calcular.” Ela entrou na SRE no quinto ano e quer cursar medicina para atuar como pediatra.

*Com informações da Secretaria de Educação

T LB

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