Sexta-feira, 08/05/26

Provisões do Bradesco para calotes preocupam analistas, e ações têm queda após balanço

Provisões do Bradesco para calotes preocupam analistas, e ações têm queda após balanço
Provisões do Bradesco para calotes preocupam analistas, e ações têm – Reprodução

Apesar de o Bradesco ter reportado lucro de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre, com alta de 16% na comparação com o mesmo período do ano passado, analistas demonstraram preocupação com o crescimento das provisões para inadimplência e a maior exposição a setores considerados voláteis.

Nesta quarta-feira (7), o desempenho do banco na Bolsa é um dos principais responsáveis pela queda de quase 2% do índice. Por volta das 15h50, as ações preferenciais -papéis que dão prioridade no recebimento de dividendos, mas não conferem direito a voto- caíam 3,32%, a R$ 18,63.

Segundo a XP, o Bradesco entregou um trimestre misto que, apesar de ter sido impulsionado pelo crescimento da carteira de crédito, gerou preocupação pela qualidade dos ativos. A instituição destaca que as provisões para perdas (PDD) aumentaram de forma expressiva, com avanço de 9,5% na comparação trimestral e de 26,5% na anual.

As provisões são reservas financeiras criadas por bancos e empresas para cobrir possíveis inadimplências.

“Embora reconheçamos que o aumento das provisões reflita efeitos sazonais, eventos idiossincráticos e dinâmicas de normalização, vemos riscos decorrentes de um crescimento da carteira acima do mercado, maior exposição a segmentos massificados e crescimento acelerado em cartões de crédito e financiamento de veículos, que normalmente são produtos mais voláteis”, afirma a instituição em relatório.

A XP avalia que esses fatores podem pressionar a qualidade dos ativos do banco ao longo do ano.

O banco disse em seu balanço que o custo de crédito subiu no trimestre pelo reforço contra o calote de um caso específico de uma grande empresa. Com isso, a provisão contra devedores duvidosos do segmento atacado do banco subiu 0,2% ante o fim de 2025, para R$ 800 milhões.

“O atacado tem mais oscilação por um caso específico, mas temos a expectativa também de ter solução para esse caso. Porém, resolvemos fazer uma provisão maior, por isso que houve essa oscilação”, disse o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, ao comentar o balanço.

O executivo afirmou que também não vê uma provisão igual a essa ocorrendo novamente tão cedo. “Eventualmente pode acontecer, porque o banco de atacado é assim, tem umas tacadas maiores, como pode ter uma reversão.”

A casa de análises Eleven Financial vê os resultados do banco mostrando tendências semelhantes às de outras instituições do setor, “com crescimento moderado das receitas de serviços, baixo crescimento das despesas e inadimplência controlada”.

“A carteira de crédito do Bradesco cresceu, com destaque para o aumento de 16% nas operações com PMEs (pequenas e médias empresas). No segmento de pessoa física, o crescimento foi maior em veículos. A inadimplência aumentou levemente, influenciada pela maior inadimplência no grupo de PMEs.”

A recomendação da casa para as ações do banco é neutra. “A distância do Bradesco para Itaú Unibanco e BTG, em termos de rentabilidade, continua muito elevada. Olhando para frente, vemos essa diferença diminuindo, mas em ritmo lento, como ocorreu em 2025.”

Para o BTG, o resultado apresentou desempenho forte, embora a qualidade dos ativos continue sendo a principal preocupação dos investidores. “Como esperado -e bastante antecipado- o Bradesco foi de fato o único grande banco tradicional a registrar crescimento sequencial no lucro neste trimestre.”

O banco destaca que o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu 10 pontos-base no trimestre, o que, dada a sazonalidade do 1º trimestre, foi considerado positivo. “Ainda assim, em nossas conversas com investidores, percebemos sentimentos mistos em relação à trajetória futura das provisões para perdas com crédito.”

O Bradesco era apontado como uma das maiores apostas para a temporada de balanços do 1º trimestre de 2026. No acumulado do ano, as ações do banco registravam alta de 6,3% até o fechamento do pregão de terça-feira (6).

T LB

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