Sábado, 16/05/26

PF acusa Cláudio Castro de usar máquina pública para facilitar crimes da Refit

PF acusa Cláudio Castro de usar máquina pública para facilitar crimes da Refit
PF acusa Cláudio Castro de usar máquina pública para facilitar – Reprodução

As investigações da Polícia Federal que culminaram com a Operação Sem Refino, deflagrada nesta sexta-feira (15), acusam o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro de usar a máquina do estado para facilitar crimes atribuídos ao empresário Ricardo Magro, dono da Refit.

As denúncias indicam que agentes públicos de alto escalão receberiam mais de R$ 300 mil por mês para facilitar processos do grupo. Um fiscal de rendas é acusado de ter acumulado mais de R$ 12 milhões em propinas nos últimos anos.

“A leniência e a criação de um ambiente propício para a propagação da atividade espúria desenvolvida pela organização criminosa capitaneada por Ricardo Magro”, diz a PF, “retratam o amálgama do crime organizado com agentes públicos influentes na política fluminense, a começar pelo então chefe do Poder Executivo”.

Em nota, a defesa de Castro diz que foi surpreendida com a operação, que o ex-governador “está à disposição da Justiça para dar todas as explicações convicto de sua lisura” e que todos os procedimentos de sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais da legislação vigente, inclusive os relacionados à política de incentivos fiscais do Estado.

“A gestão Cláudio Castro foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos pagasse dívidas com o estado, o que reforça a postura isenta e institucional do ex-governador. No total, gestão conseguiu garantir o pagamento de parcelas cujo o montante se aproxima de R$ 1 bilhão.”

A defesa afirma que o parcelamento está suspenso devido a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e que, em sua gestão, a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) engressou com inúmeras ações contra a Refit.

A Refit e Magro, também em nota, negam ter falsificado declarações fiscais para ter vantagens fiscais ou ter fornecido combustível para o crime organizado.

Castro foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão na operação desta sexta. Ele renunciou ao cargo em março, para evitar cassação pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em processo de abuso de poder nas eleições de 2022.

O governo Castro é acusado de tomar decisões que facilitaram supostas operações fraudulentas do grupo Refit e de dificultar investigações e processos contra empresas de Magro. Entre as facilidades, aprovou uma lei que parcelou R$ 9,5 bilhões em dívidas com desconto de 95% das penalidades e juros.
A lei ficou conhecida como “Lei Ricardo Magro”.

As investigações apontam ainda atuações de outros órgãos estaduais em favor do grupo. O Inea (Instituto Estadual do Meio Ambiente) teria aprovado e renovado licenças de operação ambiental para a Refit à revelia de pareceres do Ibama (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis).

A PGE teria emitido pareceres favoráveis à empresa e um delegado da Polícia Civil, atuado para sabotar investigações sobre o esquema.

Segundo as investigações, o governo Cláudio Castro teria ainda atuado para impedir a concorrência no estado, ao obstruir ou dificultar obras de outras empresas do setor, como Tobras, Tramp Oil e Branson Holdings.

A decisão destaca que o conglomerado Refit e as pessoas vinculadas a ele acumulam uma dívida de cerca de R$ 52 bilhões inscritas na dívida ativa da União, estados e Distrito Federal. Desse total, 94%, R$ 48, 9 bilhões, estão concentrados especificamente na Refit.

T LB

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