Segunda-feira, 18/05/26

Banco transferiu para empresa de pastor contrato até de carro roubado

Banco transferiu para empresa de pastor contrato até de carro roubado
Banco transferiu para empresa de pastor contrato até de carro – Reprodução

Em mais um movimento que tirou ativos podres de seus balanços, o banco Digimais cedeu uma carteira de financiamentos de veículos que incluía até contrato rescindido judicialmente porque o carro vendido era roubado. A carteira foi repassada a um pastor de outra igreja. Em troca, o banco devia investir em um negócio que envolvia a venda de imóveis por meio de crédito consignado. Mas o banco não teria depositado cerca de R$ 30 milhões prometidos.

O fotógrafo Rodrigo Menezes Martins decidiu ir à Justiça após comprar um carro que não saía do mecânico. Martins tentou desfazer o negócio, mas a revenda se negou a devolver o dinheiro e o banco passou a cobrar o financiamento. A Justiça suspendeu a cobrança. O carro não funciona. Mesmo assim, as cobranças não pararam. “O Digimais cedeu o contrato a outra empresa. Já faz dois anos que estou nessa situação. E ele (o banco) só me cobrando, contra a ordem judicial.”

Já o técnico de sistemas de segurança Rafael Cascardi, que comprou um Celta 2014 de um revendedor credenciado com financiamento no Digimais, foi parado pela polícia porque o carro era roubado. Ele conseguiu na Justiça a rescisão do contrato.

Mas nos dois casos, o Digimais não responde mais a esses processos judiciais. Em seu lugar, quem trava a disputa é a Hatikvah Participações.

Consignados

A Hatikvah tem como sócio o empresário do mercado financeiro e pastor Tiago Gouvêa, que atua no ramo de consignados. Ele é pastor de uma igreja evangélica chamada Alive Church.

A Hatikvah Participações recebeu do Digimais os direitos creditórios de uma carteira de financiamentos veiculares em 30 de dezembro de 2025. Segundo um contrato obtido pelo Estadão, a empresa comprou a carteira por R$ 255 milhões. Em troca, a Hatikvah cedeu, inicialmente, ao banco 35% do Fundo de Investimentos em Participações (FIP) Hatikvah. Hoje, o banco já é dono de 97% do fundo, que investe em duas empresas de empreendimentos imobiliários de Gouvêa. O fundo declara que os aportes são de R$ 711 milhões.

Procurado pelo Estadão, o empresário afirmou que ofereceu ao Digimais a operação de empréstimos consignados a servidores públicos de municípios com os quais ele já tem contrato.

T LB

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