O Partido Socialista do primeiro-ministro Pedro Sánchez sofreu uma nova derrota para a direita no domingo (17) nas eleições da Andaluzia, a região mais populosa da Espanha, em uma votação acompanhada com muita atenção antes das legislativas nacionais do próximo ano.
Após as recentes derrotas regionais em Extremadura, Aragão e Castela e Leão, os socialistas sofreram outro revés na Andaluzia — seu grande reduto durante 40 anos, até 2019 —, onde o conservador Partido Popular (PP) voltou a vencer as eleições, embora dependa do apoio da legenda de extrema direita Vox para formar o governo.
Com 99,90% dos votos apurados, o PP conquistou 53 das 109 cadeiras do Parlamento da região de quase nove milhões de habitantes, o que representa cinco a menos que em 2022, quando conseguiu maioria absoluta.
O Partido Socialista, liderado por María Jesús Montero, ex-vice-premiê do governo Sánchez, conquistou 28 cadeiras, duas a menos que há quatro anos, seu pior resultado nas eleições da região.
O Vox ficou em terceiro lugar, com um deputado a mais do que na legislatura anterior (passou de 14 para 15), recuperando assim um papel estratégico para negociar o terceiro mandato aspirado pelo candidato do PP e atual presidente da região andaluza, Juan Manuel Moreno Bonilla.
Uma das grandes surpresas da votação foi o bom resultado do partido regional de esquerda ‘Adelante Andalucía’, que passou de dois para oito deputados e virou a quarta força no Parlamento local.
“Os andaluzes nos deram um mandato claro (…) e é que sigamos transformando a Andaluzia”, celebrou Moreno Bonilla, que agora terá que negociar com o Vox para governar em um terceiro mandato.
Mas esta não será a primeira vez que precisará governar em coalizão: em seu primeiro governo, em 2019, ele precisou do apoio, entre outros, do Vox.
O PP estabeleceu governos de coalizão com o Vox em Estremadura e em Aragão, e não descartou uma colaboração em um eventual governo nacional caso as próximas eleições gerais, previstas para 2027, terminem sem maiorias claras.
Isto o diferencia de outros partidos conservadores europeus que formaram um “cordão sanitário” ao redor da extrema direita.
A derrota incontestável da ex-ministra Montero representa um novo golpe para os socialistas de Sánchez que, apesar de sua imagem internacional ativa, enfrentam um momento difícil em seu país, com escândalos de corrupção que afetam parentes e antigos colaboradores próximos.








