Terça-feira, 09/06/26

Tribunal de Contas de Minas autoriza oferta de ações para privatização da Copasa

Tribunal de Contas de Minas autoriza oferta de ações para privatização da Copasa
Tribunal de Contas de Minas autoriza oferta de ações para – Reprodução

O TCE-MG (Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais) autorizou, nesta segunda-feira (18), o andamento do processo de privatização da Copasa (estatal de saneamento), com a oferta de ações da companhia ao mercado.

O aval da corte de contas era considerado a última etapa jurídica da desestatização. Ainda tramitam na corte denúncias sobre o processo, mas a expectativa do Governo de Minas é que a privatização seja concluída ainda neste semestre.

O relator do processo no TCE-MG, conselheiro Agostinho Patrus, determinou que a companhia envie relatórios sobre o andamento de cada etapa da desestatização.

“Não cabe ao Tribunal de Contas decidir sobre a política pública de privatização, mas garantir que o processo ocorra em estrita observância à legislação com transparência, segurança jurídica e, acima de tudo, proteção ao patrimônio público”, afirmou.

Também foi definido que a Copasa deverá apresentar, em até 30 dias, um plano de ação que priorize as escolas públicas na expansão dos serviços de abastecimento de água e esgoto sanitário.

A companhia deverá encaminhar levantamento sobre eventual questionamento, administrativo ou judicial, de municípios onde a tarifa de esgoto é cobrada sem a prestação efetiva do serviço. O voto do relator foi acompanhado de forma unânime pelos outros conselheiros.

O PROCESSO DE PRIVATIZAÇÃO

O governo do estado, que hoje possui 50,3% das ações da Copasa, deve ficar com fatia de 5% após a desestatização, além de manter um assento nos conselhos de administração e fiscal e uma golden share (ação preferencial que dá poder de veto à administração pública em decisões específicas).

Uma oferta subsequente de ações (follow-on) será feita em duas etapas. Da fatia total a ser ofertada, 30% serão destinados a um acionista de referência, que é uma espécie de sócio estratégico —como acontece com a Equatorial na Sabesp, em São Paulo.

Pessoas com conhecimento do processo dizem que a disputa por essa fatia está concentrada entre dois grupos: Aegea e Sabesp, que deve participar em consórcio com a Equatorial.

Os outros 15% serão oferecidos ao mercado via bookbuilding, processo na Bolsa em que investidores indicam a quantidade de ações que querem comprar.

O processo prevê a possibilidade de a companhia se transformar em uma corporation –sem controlador definido. Esse cenário é tratado como remoto por pessoas que acompanham o tema.

O governo pretende utilizar os recursos da privatização (estimados em algo próximo a R$ 10 bilhões) para cumprir obrigações de investimentos em infraestrutura previstas pelo Propag, programa de renegociação da dívida do estado com a União.

RAIO-X | COPASA

  • Fundação: 1963
  • Lucro líquido 2025: R$ 1,42 bilhão
  • Funcionários: 9.400
  • Municípios atendidos: 636

T LB

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