Terça-feira, 19/05/26

Atrito entre Kassab e Tarcísio esvazia apoio do PSD no interior paulista

Atrito entre Kassab e Tarcísio esvazia apoio do PSD no interior paulista
Atrito entre Kassab e Tarcísio esvazia apoio do PSD no – Reprodução

Prefeitos e deputados do PSD no interior de São Paulo avaliam não trabalhar pela campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos), mesmo com Gilberto Kassab, presidente do partido, declarando apoio à reeleição do governador.

Membros do partido, ouvidos pela Folha sob reserva, afirmam que, caso ocorra algum envolvimento na eleição estadual, ele ficará só para um eventual segundo turno entre Tarcísio e Fernando Haddad (PT), que lideram as pesquisas de intenção de voto.

As avaliações colhidas pela reportagem são de que houve uma quebra de acordo entre o dirigente e o governador. O PSD esperava ficar com o cargo de vice na chapa de Tarcísio, com o próprio Kassab sendo um dos cotados ao posto.

Kassab indicou aos aliados que eles estão livres sobre como agir no primeiro turno, ainda segundo os relatos colhidos pela reportagem. O PSD tem cerca de 200 das 645 prefeituras do estado. Um aliado de Kassab avalia que a percepção alcança a maior parte da sigla, o que, segundo ele, poderia comprometer os palanques eleitorais de Tarcísio.

A reportagem procurou Tarcísio por email enviado ao Palácio dos Bandeirantes, mas não teve resposta.
Kassab negou ter orientado os aliados a se omitir na campanha de Tarcísio. À Folha ele disse que essas avaliações eram “manifestações de origem maldosa ou vindas de pessoas desinformadas”.

“O PSD foi o primeiro partido a declarar apoio ao governador Tarcísio de Freitas. Estamos correndo o estado, visitando e recebendo lideranças, fazendo a pré-campanha de Ronaldo Caiado para presidente e de Tarcísio a governador”, disse Kassab, por meio de uma nota enviada por sua assessoria.

Embora Kassab mantenha o apoio a Tarcísio, o relato dos integrantes do partido é que a relação entre os dois não é boa no momento e que a indicação do cargo de vice na chapa do governador marcou um ponto mais agudo de atrito.

Tarcísio foi eleito em 2022 com Felício Ramuth como vice. Ex-prefeito de São José dos Campos, ele era um tucano recém-filiado ao PSD. Kassab e outros dirigentes tinham expectativa de que Tarcísio disputaria a Presidência, deixando para o partido a eventual cabeça de chapa para o governo paulista em 2026.

No ano passado, conforme foi ficando claro que Tarcísio permaneceria em São Paulo, o posto de Felício foi alvo de disputas internas, com sinalizações do governador de que ele queria manter o atual vice.

Em fevereiro, porém, houve a revelação de que Felício era investigado por lavagem de dinheiro em Andorra, paraíso fiscal, e que tinha US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 8,3 milhões, na cotação atual) bloqueado pela Justiça do país europeu.

Segundo integrantes do Palácio dos Bandeirantes, Felício teria cogitado que divulgação do fato foi um movimento de Kassab para enfraquecê-lo e ficado muito contrariado com o dirigente. Tarcísio, por sua vez, ainda segundo esses auxiliares, reforçou o apoio ao atual vice.

Na segunda-feira (11), em entrevista ao programa Frente a Frente, parceria entre a Folha e o UOL, Kassab disse que foi ele quem pediu para Felício deixar a sigla. “O que houve é muito claro. O Felício estava num voo solo, sem falar com o partido, dizendo que ele ia ser candidato a governador ou a vice.”

Felício confirmou que o pedido partiu de Kassab. “Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço”, afirmou o vice-governador, ao relacionar a saída à tentativa do dirigente em ser indicado a vice no seu lugar.

Ele migrou para o MDB, partido que acompanhava a disputa pela vice e buscava se manter como uma opção a Tarcísio.

Aliados de Tarcísio já detectaram a apatia de prefeitos do interior em se empenhar pela campanha de reeleição e têm planos para trabalhar por conta própria para buscar engajamento.

Uma das frentes é via PL, partido do presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), André do Prado, anunciado como pré-candidato ao Senado na semana passada. A sigla é a que tem mais deputados estaduais em São Paulo, com 21 dos 94 integrantes da Casa. “Vamos procurar todos os prefeitos, trazê-los para a campanha e trazer a vitória para o governador”, disse o deputado.

T LB

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