Terça-feira, 19/05/26

Como criminosos usam dados de mortos para ativar linhas telefônicas

Como criminosos usam dados de mortos para ativar linhas telefônicas
Como criminosos usam dados de mortos para ativar linhas telefônicas – Reprodução

Por que é possível ter número no nome de pessoas mortas?

Não há detalhes do tipo de linha (pré ou pós) ou operadoras, mas especialistas dizem que há algumas possibilidades. Uso de dados vazados, compra de chips pré-pagos em nome de pessoas mortas e falhas na verificação de identidade no processo de ativação da linha são algumas delas.

Notificação da morte de uma pessoa leva um tempo. Segundo Hiago Kin, presidente do Ibrinc (Instituto Brasileiro de Resposta a Incidentes Cibernéticos), a propagação de notificação de morte de uma pessoa, que passa por diferentes esferas (da municipal à federal), não é instantânea. Por essa razão, os dados de mortos poderiam ser utilizados.

Base de pessoas mortas não é atualizada para todo país em tempo real. “Até o CPF de alguém ‘receber baixa’, isso dá tempo para fraudadores trabalharem e tentarem com sucesso registrar uma linha no nome de alguém”, diz um profissional da área de soluções de identidade digital, que não quis se identificar.

Inventário e atuação da família podem acelerar “notificação de morte”. Segundo Kin, do Ibrinc, “quando o morto tem bens a serem partilhados”, a informação acaba sendo rapidamente replicada por cartórios e bancos, dificultando o uso da informação por terceiros. “Se a pessoa não tem herdeiros ou morre indigente, a conta do banco dela pode permanecer ativa por um tempo.”

Anatel tem aumentado o rigor de identificação, mas ainda há diferenças entre modalidades e operadoras. Em alguns casos, a Anatel exige selfie e documentos para a ativação de uma linha telefônica. Clientes pré têm opção de ativação por vias alternativas, como ir à loja física ou fornecer algum documento.


T LB

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