Quarta-feira, 20/05/26

Chileno detido por fala racista em voo em SP pede desculpas

Chileno detido por fala racista em voo em SP pede desculpas
Chileno detido por fala racista em voo em SP pede – Reprodução

A defesa do executivo chileno Germán Naranjo Maldini, detido no Brasil por ataques racistas e homofóbicos durante voo da Latam, pediu à Justiça Federal a revogação da prisão e afirmou que o homem passa por tratamento psiquiátrico há mais de dez anos.

O executivo, que está preso no CDP (Centro de Detenção Provisória)de Guarulhos, se desculpou pelas agressões verbais contra um tripulante do voo. Maldini se reuniu com o advogado criminalista Carlos Kauffmann, que o representa, ontem e afirmou que passa por tratamento psiquiátrico desde 2013.

Chileno estava “completamente desorientado” durante o voo, diz a defesa. O executivo afirmou ao advogado que ficou “chocado com as palavras proferidas que não refletem o que é”. “Perdi meu irmão um tempo atrás e bebi demais. Estava passando por tratamento psiquiátrico (…) a pessoa que viram não sou eu, é uma pessoa que estava fora de si”, teria dito.

Defesa do executivo pediu à Justiça Federal a revogação da prisão. O advogado também esclareceu que solicitou uma avaliação da condição clínica e do estado mental de Maldini. No pedido, Carlos Kauffmann destacou a existência de risco concreto ao preso em razão da repercussão do caso e de seu estado mental.

“Bruno, provavelmente você está bravo demais para me perdoar, mas espero ter a chance de me desculpar pessoalmente para você. De novo: não era eu. Minha mente estava em um estado alterado”, disse Germán Naranjo Maldini, em conversa com o advogado.

O crime ocorreu em um voo que seguia de Guarulhos, em São Paulo, para Frankfurt, na Alemanha. Durante a viagem, o homem chamou um funcionário de “preto” e “macaco” e imitou o animal. Ele ainda disse que o comissário tinha “cheiro de negro brasileiro” e que ser gay “é um problema” para ele.

O caso ocorreu no último dia 10 de maio, mas o homem só foi preso no dia 15, quando retornou de Frankfurt. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça Federal e ocorreu no aeroporto de Guarulhos, na conexão de volta da Alemanha ao Brasil.

Ofensas ocorreram após o chileno tentar abrir a porta do avião. Ao ser contido pelos comissários de bordo, ele passou a xingar os tripulantes com palavras racistas, homofóbicas e xenofóbicas quando os profissionais pediram para ele retornar ao seu assento na aeronave.

Comissários questionaram as declarações preconceituosas. “Qual o problema de ser gay?”, perguntou um dos tripulantes ofendidos. “Para mim é um problema. A pele negra também”, respondeu o chileno antes de chamar o comissário de “macaco” e fazer sons imitando o animal.

A Latam Airlines diz que “repudia veementemente qualquer prática discriminatória”. Em nota, a companhia aérea afirma ter colaborado com a PF para a prisão do passageiro. “A Latam esclarece ainda que presta acolhimento psicológico e suporte jurídico ao funcionário vítima dessa violência”, afirma o texto.

O executivo trabalha como gerente de uma empresa chilena Landes, de alimentos e biotecnologia marinha. Em nota, a companhia informou que ele seria afastado “formal e preventivamente” de suas funções.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) repudiou a conduta do executivo chileno. “Violenta, racista, homofóbica e incompatível com os princípios de civilidade respeito praticada por um passageiro”. Em nota, a agência informou que se solidariza com os demais passageiros, especialmente, com os tripulantes envolvidos, reafirmando seu compromisso com a promoção de um ambiente de aviação civil seguro, respeitoso e livre de qualquer forma de discriminação ou violência.

A agência declarou que acompanhará a apuração dos fatos. Também ressaltou que adotará, no âmbito de suas competências legais e regulatórias, as medidas cabíveis em conjunto com a companhia aérea e demais autoridades competentes.

“É importante relembrar que a partir de 14 de setembro, as regras envolvendo casos de passageiros indisciplinados no Brasil passarão a ser mais duras e, casos como o mencionado, poderão ser enquadrados na categoria gravíssima, com a aplicação de multa de R$ 17,5 mil e inclusão do nome do passageiro em lista de impedimento de embarque”, disse a Anac, em nota.

T LB

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