Maestra associada da Orquestra Filarmônica de Goiás desde 2021, Mariana Menezes, 37, se apaixonou pela flauta transversal aos seis anos. Aos 13, formou seu primeiro coral e deu os primeiros passos para uma carreira consolidada. Nesta quarta-feira (20), ela comanda um concerto gratuito no Parque Atheneu, em Goiânia, com apresentação da Sinfonia nº 7, de Beethoven.
Natural de Uberaba (MG), Mariana começou a estudar música ainda na infância por incentivo da mãe, professora da área de educação física e dança. Em casa, havia um combinado: ela e a irmã precisariam frequentar aulas de música e balé até o equivalente ao atual nono ano, como forma de desenvolver tanto um lado cultural e intelectual quanto o corpo. Depois disso, poderiam escolher apenas uma das atividades para seguir.
“Então eu escolhi ficar com a música e largar o balé. Minha irmã escolheu continuar com o balé e largar a música. Isso era uma escolha dos meus pais e que hoje em dia eu agradeço muito”, relembra.
Foi no conservatório onde estudava que Mariana começou a descobrir o universo da música clássica. A partir das aulas e de coletâneas musicais que escutava ainda criança, ela se aproximou das orquestras e passou a se interessar não apenas pela flauta transversal, mas também pela regência.
A primeira grande inspiração veio de um maestro com quem teve contato em um dos grupos musicais dos quais participou na adolescência. “Ele instigava todo mundo a tocar, fazia uma conexão muito impressionante com os músicos. Ele parecia um mago”, contou ao Mais Goiás.
Primeiros passos na música clássica
Por volta dos 13 anos, ela conta que decidiu que queria aquilo para a vida — ainda que não tivesse a menor noção de como começar, qual faculdade cursar ou mesmo o nome do curso necessário para se tornar regente. Curiosa, conversou com o maestro que a inspirava e, com o apoio dos pais, formou seu primeiro coral.
Apesar de continuar os estudos na flauta transversal, a musicista já planejava cursar uma graduação em regência, área que, segundo ela, ainda possui poucas formações específicas no Brasil. Foi esse desejo que a levou a se mudar para Brasília, onde fez um curso voltado tanto para coral quanto para orquestra.
Durante a graduação, participou de festivais e aprofundou a relação com a música instrumental. Embora enxergasse a voz como “algo divino”, ela afirma que sempre foi fascinada pela textura dos instrumentos, o que a aproximou definitivamente da regência orquestral.
Mariana conquistou uma bolsa integral para estudar no Canadá, onde fez mestrado em regência orquestral com foco instrumental. Teve a oportunidade de estudar condução de orquestras e bandas sinfônicas, experiência que considera determinante para o início da carreira profissional.
Após retornar ao Brasil, integrou a primeira turma da Academia de Regência da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), com orientação da maestra Marin Alsop, segundo Mariana, uma das regentes mais importantes da atualidade.
“Quando eu saí dessa turma, eu já saí com um caminho encaminhado para a carreira mesmo”, afirmou.
A força coletiva da orquestra
Para Mariana, a música tem o poder de criar conexões e transportar o público. Ela destaca a beleza da construção coletiva na orquestra. “Hoje em dia, as pessoas trabalham muito isoladas. Na orquestra, nós somos obrigados a lidar com diferentes pessoas e sonoridades para construir algo juntos”, explica.
O momento mais emocionante, segundo ela, acontece antes mesmo da primeira nota: a entrada no palco. “Quando eu entro e vejo a orquestra de um lado e o público do outro, sinto essa troca acontecendo. Para mim, o concerto já começou ali”, relata. Ela descreve esse instante como “divino”, diz que sente um “desejo enorme de compartilhar” e que o público saia transformado.
Atualmente, Mariana atua como regente convidada em diferentes orquestras do país, além de cumprir compromissos internacionais. Desde que assumiu o posto de maestra associada da Filarmônica de Goiás, ela conduz regularmente concertos e programas da temporada.
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