Quinta-feira, 21/05/26

Polícia prende suspeito de matar estudante em BH após caso ser tratado como suicídio

Polícia prende suspeito de matar estudante em BH após caso ser tratado como suicídio
Polícia prende suspeito de matar estudante em BH após caso – Reprodução

A Polícia Civil prendeu na última sexta-feira (15) um homem suspeito de matar a estudante Giovanna Neves Santana Rocha, 22, encontrada morta no apartamento onde ela morava no bairro Savassi, em Belo Horizonte.

O corpo da vítima foi encontrado por uma amiga no dia 9 de fevereiro, e o caso foi inicialmente registrado como suicídio. Após exames periciais e depoimentos, porém, a investigação passou a apontar feminicídio.

Um engenheiro de 45 anos foi preso temporariamente suspeito do crime. O nome dele não foi divulgado e a polícia não informou se ele já possui algum defensor. Segundo a corporação, após ser detido, ele optou por não se manifestar.

Os policiais afirmaram que a ocorrência foi tratada inicialmente como suicídio devido a um histórico de depressão da vítima e à ausência de indícios aparentes de homicídio no apartamento.

“Essa narrativa foi totalmente contraditada pelo resultado da necropsia, que conclui [que a morte foi por] asfixia mecânica direta, por sufocação direta”, afirmou a delegada Ariadne Coelho.

A investigação também levou em conta o fato de o suspeito ter se apossado do apartamento da vítima e solicitado o reconhecimento de união estável dois dias após a morte dela.

Segundo a delegada, Giovanna tinha cerca de R$ 200 mil a receber de herança, e o homem teria interesse em assumir esse valor.

“Ele começou a mandar áudio para as amigas próximas, para familiares, falando: ‘Ela morreu nos meus braços’. Como que ela morreu nos braços dele se não foi ele que acionou a polícia?”, disse Coelho.

A polícia apurou ainda que o homem, formalmente casado e pai de quatro filhos, começou a namorar a vítima cerca de quatro meses antes da morte.

Segundo a investigação, ele se mudou para o apartamento da estudante logo após o início do relacionamento e passou a afastá-la de amigas e familiares. Para a delegada, depoimentos indicam um contexto de dependência emocional, o que reforçou a suspeita de feminicídio.

“Trata-se de uma desumanização literal, externada pelo feminicídio, mas que é sempre precedida por uma desumanização simbólica, em que os agressores tentam culpabilizar a vítima, afastá-la dos familiares”, afirmou.

T LB

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