Quarta-feira, 27/05/26

Comportamento de torcida provoca “crise de pânico” e até exclusão de equipe em torneio de base de vôlei

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Comportamento de torcida provoca “crise de pânico” e até exclusão – Reprodução

Um acontecimento durante uma competição de vôlei de base em Goiânia, no final de semana, gerou muita repercussão nas redes sociais. Atletas de 11 a 13 anos, que estavam jogando, foram hostilizadas por torcedores da equipe adversária. Mãe de uma atleta do Educandário Vila Boa, a pediatra Ana Mateus Simões contou ter presenciado uma das meninas “com crise de pânico por conta da violência moral”.

“A diretora da escola pela qual a minha filha estava participando comentou que estava percebendo xingamentos e os pais de outras atletas estão falando o nome das meninas (que estavam nas camisetas de jogo), pressionando, falando pra sacar nela que é ruim, que a outra é pipoqueira. Quando eu subi, uma das nossas atletas estava em crise de pânico, hiperventilando, chorava sem parar, até que foi retirada da quadra. Depois disso eu fiquei lá e a torcida continuou fazendo uma torcida que não era a favor do time e sim contra o outro time.”

“Minha filha era capitã do time, disse que falou para o juiz que estava ruim, que a torcida não estava ok. As próprias atletas dentro de quadro provocando muito e, infelizmente, não teve nada que foi feito. Outras mães também chegaram para o árbitro que estava na mesa colocaram a situação e também nada foi feito”, prosseguiu.

“No final, as crianças todas muito, muito abaladas emocionalmente não por causa da perda. Acho que foi algo que elas nunca imaginaram que iria acontecer com elas. Foi um tipo de humilhação mesmo dentro da quadra. Elas estavam com vergonha de jogar, vergonha de jogar pela exposição que estava tendo ali. A diretora da escola fez todos os trâmites de formalização para a organização e eu falei com o organizador do que aconteceu. Várias mães de outros times também relataram que aquela torcida também fez isso em outros jogos. Isso não pode ser normalizado e, se não falarmos, não é visto. Foi um relato de reflexão para todos. São crianças de 11, 12, 13 anos que podem ficar com essa situação marcada para o resto da vida”, concluiu Ana Mateus Simões.

Posição do torneio

A organização da Copa Gyn Vôlei divulgou nota, informando que repudia “atitudes de desrespeito, violência de todas naturezas, falta de bom senso e utilização de palavras ou ações que denigram imagem ou integridade do outro, ainda mais se tratando de crianças”. Salientou ainda “que tem compromisso com a responsabilidade, ética e respeito com todos envolvidos”.

A Copa Gyn de Voleibol é disputada em quatro etapas ao longo da temporada, duas por semestre, com disputas femininas e masculinas. De acordo com a organização, o objetivo é realizar um trabalho educativo com os alunos envolvendo pais, professores e instituições que atuam na área do vôlei. “Achamos importante voltarmos o olhar para essa galerinha em fase de conhecimento da nossa modalidade esportiva, podendo assim criarmos um público apaixonado pelo esporte e ciente dos seus desafios”.

Posição do DF Vôlei

“O DF Vôlei reforça que não compactua com qualquer tipo de agressão, ofensa, humilhação ou violência, independentemente das circunstâncias.

Também consideramos importante destacar que, durante a competição, uma de nossas atletas foi alvo de pressão verbal vinda de um adulto presente na arquibancada. Ainda assim, entendemos que atitudes isoladas não representam uma equipe, seus atletas ou sua torcida como um todo.

Acreditamos que situações como essa devem servir como reflexão para todos que fazem parte do esporte, incluindo atletas, treinadores, familiares e torcidas, sobre a importância do respeito e do equilíbrio emocional dentro do ambiente esportivo”.

Situações semelhantes

Nos últimos anos, tem sido frequentes episódios de ações hostis, como xingamentos, ameaças, e, em alguns casos, até agressões, em competições de base, em diferentes modalidades esportivas.

Um fato que repercutiu bastante nas redes sociais aconteceu na segunda divisão goiana sub-15 de futebol de campo. No intervalo de Anapolina x Iporaense, o presidente do clube de Iporá xingou os atletas. O Goiás Esporte Clube tem adotado portões fechados ao público em jogos da base desde o fim de março.

Em São Paulo, a Federação Paulista chegou a lançar a campanha “Pais de Castigo”, proibindo público em rodadas do sub-11 e sub-12 do estadual, após registros de brigas nas arquibancadas, arremesso de objetos, ofensas discriminatórias e até o porte de armas de fogo.


T LB

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