Quarta-feira, 27/05/26

Delegado diz que prints desmontaram versão de acidente no caso Henry

Delegado diz que prints desmontaram versão de acidente no caso Henry
Delegado diz que prints desmontaram versão de acidente no caso – Reprodução

O delegado Edson Henrique Damasceno, que investigou a morte de Henry Borel, afirmou nesta terça-feira (26), no 2º Tribunal do Júri, no Rio de Janeiro, que a análise de prints de mensagens do celular da babá foi decisiva para revelar o que chamou de “farsa” em torno do caso. Segundo ele, sem essas mensagens, “a mentira iria seguir”.

Damasceno relatou que a investigação começou tratando o episódio como um acidente doméstico, mas mudou de rumo após a análise do laudo cadavérico, que apontava lesões graves. Ele mencionou ferimentos em rim, pulmão, cabeça e fígado, além de equimose no corpo, e disse que a reprodução simulada na casa de Dr. Jairinho e Monique Medeiros mostrou incompatibilidade entre as lesões e a versão de queda da cama.

O delegado afirmou que chegou à convicção de que Henry sofreu agressões a partir de mensagens trocadas pela babá Thayná de Oliveira Ferreira com Monique e com o namorado dela. Nessas conversas, segundo Damasceno, apareceram relatos de episódios anteriores de violência atribuídos a Jairinho, o que contrariaria o que a babá havia dito em depoimento na delegacia. Ele disse ainda que os diálogos indicam que Monique tinha ciência das agressões sofridas pelo filho.

Em um dos relatos citados pelo delegado, o menino teria ficado trancado em um quarto com Jairinho e saído mancando e reclamando de dor na cabeça. Damasceno também afirmou que, em 13 de fevereiro, Henry foi levado por Monique a um hospital porque se queixava de dores e mancava, e que a mãe repetiu a versão de que ele havia caído da cama.

O delegado disse ainda que as mensagens indicam que pessoas próximas de Henry, como babá, avó e empregada doméstica, teriam sido “treinadas a mentir” por integrantes do escritório de advocacia que assumiu a defesa do casal no início da apuração. Segundo ele, Monique também orientou a babá a apagar mensagens do celular. Para recuperar conteúdos apagados, a perícia usou o software Cellebrite, ferramenta capaz de resgatar mensagens de aplicativos como o WhatsApp.

Damasceno também confirmou ao júri que Dr. Jairinho teria pressionado o Hospital Barra D’Or, para onde Henry foi levado no dia da morte, a atestar o óbito sem encaminhar o corpo ao Instituto Médico Legal (IML). De acordo com o delegado, a pressão ocorreu por ligações e mensagens de texto, e um alto executivo da Rede D’Or confirmou ter recebido pedidos insistentes. Ele afirmou que, sem a perícia do IML, o corpo poderia ter sido sepultado sem coleta de provas.

Durante o depoimento, o delegado mencionou ainda outros casos envolvendo Jairinho, com relatos de agressões a filhos de ex-companheiras. Segundo ele, uma menina teria sido afogada, e um menino teria sofrido fratura no fêmur após agressão.

O julgamento segue com depoimentos de testemunhas de acusação e defesa. A decisão será tomada por sete jurados, e a expectativa é de que a sessão dure cerca de cinco dias. Nesta terça-feira, o advogado Sérgio Figueiredo anunciou que renunciava à participação no caso, em protesto contra a decisão que negou novo adiamento do julgamento após o infarto de Fabiano Tadeu Lopes, líder da defesa. Na abertura do júri, Jairinho tentou adiar a sessão, mas recuou após a ameaça de transferência para Bangu 1.

Segundo a denúncia, Henry morreu na madrugada de 8 de março de 2021, após ser espancado por Jairinho, enquanto Monique teria se omitido da responsabilidade. O Ministério Público também atribui ao ex-vereador outras três ocasiões de violência contra a criança em fevereiro de 2021. Jairinho responde por seis crimes, e Monique, por sete.

Com informações da Agência Brasil

T LB

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