A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo será realizada em 7 de junho, na Avenida Paulista, sob pressão política e financeira. Além de enfrentar a perda de cerca de 60% dos patrocínios, o evento lida com a tramitação de um projeto de lei aprovado em primeira votação na Câmara Municipal que, segundo juristas ouvidos pela Agência Brasil, é inconstitucional.
A proposta proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos públicos ou privados que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, mesmo quando acompanhados pelos pais ou responsáveis. O texto também impede a ocupação e interdição de vias públicas para a realização dessas atividades e determina que elas ocorram apenas em espaços fechados, sob pena de multa. A medida alcança diretamente a Parada do Orgulho LGBT+, que ocorre na Avenida Paulista desde 1997.
O advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), afirmou à Agência Brasil que a proposta fere a Constituição Federal. Já Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), classificou o projeto como uma tentativa de retrocesso. Para ele, a iniciativa não é nova e representa uma pressão histórica contra a comunidade.
A redução de patrocínios é outro desafio da edição deste ano. Segundo os organizadores, a Parada perdeu cerca de 60% dos apoiadores financeiros, o que deve tornar o evento menor do que em anos anteriores. Pereira afirmou que a dificuldade também atinge outras iniciativas ligadas ao movimento, como a Feira da Diversidade e projetos sociais e culturais. Mesmo assim, disse que a Parada continua mantida.
Com o tema “A rua convoca, a urna confirma”, a organização quer reforçar a importância do voto e da participação política. Pereira afirmou que “não existe orgulho sem democracia” e destacou a atuação da Parada, ao longo dos anos, na defesa de pautas como união estável, identidade de gênero, adoção por casais homoafetivos e criminalização da LGBTfobia. A drag queen Tiffany, apresentadora do evento, também definiu a Parada como um espaço de celebração e militância.
A programação deste ano inclui ainda o Encontro Brasileiro de Organizações de Paradas LGBT+, que reunirá mais de 90 representantes de diferentes regiões do país para debates, oficinas, grupos de trabalho e articulações institucionais. A organização pretende aprovar uma Carta Aberta Nacional com propostas e compromissos para o fortalecimento das paradas LGBT+ brasileiras.
A Feira Cultural da Diversidade e Empreendedorismo LGBT+ será realizada em 4 de junho, no Vale do Anhangabaú, com entrada gratuita mediante reserva pelo Sympla. A programação inclui 60 tendas de comunidades criativas, 100 artistas, 10 escritores, espaço de empregabilidade e ações de saúde, como testagem rápida de HIV e sífilis, distribuição de preservativos, gel lubrificante e autotestes, além de acesso à PrEP e à PEP.







