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Fenômeno climático pode atrasar chuvas, elevar temperaturas e provocar impactos no campo
Probabilidade de El Niño entre junho e agosto é de 80% consequências em Goiás – Imagem: Agência Brasil
A OMM (Organização Meteorológica Mundial) afirmou nesta terça-feira (2) que há 80% de probabilidade de um episódio de El Niño entre junho e agosto, o que aumenta o risco de fenômenos meteorológicos extremos nos próximos meses, acendendo um alerta para impactos climáticos e possíveis mudanças significativas nas chuvas, temperaturas e até no abastecimento de água em Goiás e todo o Brasil.
A OMM indica que o evento deve ser ao menos de intensidade moderada, com chances superiores a 90% de persistir até novembro. O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial, o que desencadeia efeitos em cadeia no clima global, favorecendo extremos como secas, chuvas intensas e ondas de calor.
Probabilidade de el niño e cenário global
A elevação da temperatura do mar no Pacífico já se aproxima dos níveis necessários para configurar o fenômeno. Em algumas áreas abaixo da superfície, os valores superaram em mais de 6°C a média sazonal, o que reforça o cenário de formação do El Niño nos próximos meses.
A tendência, segundo a OMM, é de temperaturas acima da média em grande parte do planeta entre junho e agosto, com aumento do risco de estresse térmico, eventos extremos e irregularidade nas chuvas. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o cenário como um “alerta climático urgente”, destacando que o fenômeno pode agravar ainda mais os efeitos do aquecimento global.
Consequências do el niño em goiás
Em Goiás, o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas (Cimehgo) monitora a evolução do fenômeno e aponta possíveis impactos diretos no clima do estado. Caso o aquecimento do Pacífico atinja cerca de 2°C acima da média, o El Niño pode provocar atraso de até 20 dias no início do período chuvoso.
Na prática, isso significa que o mês de outubro pode começar com chuvas irregulares ou até ausência de precipitações em diversas regiões goianas. A irregularidade também preocupa o setor agropecuário, já que períodos longos sem chuva após o plantio podem comprometer a produção.
Temperaturas e risco de calor extremo
Outro efeito esperado do El Niño em Goiás é o aumento das temperaturas. Sem a regularidade das chuvas, cidades como Goiânia podem registrar máximas entre 32°C e 34°C, acima do padrão histórico para o período.
De acordo com o Cimehgo, há possibilidade de meses com temperaturas entre 3°C e 5°C acima da média climatológica, especialmente entre setembro e outubro. Esse cenário eleva o risco de ondas de calor e amplia os impactos sobre a saúde e o consumo de energia.
Impactos nas chuvas e nos recursos hídricos
A atuação do El Niño também pode interferir no transporte de umidade da Amazônia, reduzindo a regularidade das chuvas em Goiás. Com isso, há risco de queda no nível de rios e mananciais, embora o cenário ainda esteja em análise.
Mesmo quando ocorrem, as chuvas tendem a ser mal distribuídas, com intervalos de vários dias secos entre episódios isolados de precipitação. A normalização do regime chuvoso, segundo especialistas, só deve ocorrer entre novembro e dezembro.
Monitoramento e ações preventivas
Diante da alta probabilidade de El Niño, órgãos estaduais já iniciaram medidas de monitoramento e prevenção. O Cimehgo mantém alinhamento com a Defesa Civil para mitigar possíveis impactos, como queimadas, estiagem prolongada e pressão sobre o abastecimento de água.
Apesar dos indicativos, especialistas reforçam que o cenário ainda depende da evolução das temperaturas no Pacífico nos próximos meses. A confirmação de um evento mais intenso será determinante para definir a magnitude dos impactos em Goiás.







