Domingo, 14/06/26

Cretea oferece atendimento odontológico para crianças com autismo

Cretea oferece atendimento odontológico para crianças com autismo
Crianças com autismo podem contar com atendimento odontológico no Cretea – Reprodução

O Centro de Referência em Transtorno do Espectro Autista (Cretea), vinculado à Secretaria de Saúde (SES-DF), passou a oferecer neste mês atendimento odontológico para crianças com autismo, ampliando o cuidado multiprofissional para 85 pacientes já atendidos desde a inauguração da unidade.

Expansão e Cuidado Multiprofissional

O Cretea, primeiro centro do Distrito Federal dedicado exclusivamente a crianças com transtorno do espectro autista, funciona como projeto-piloto e já tem planos de expansão. A governadora Celina Leão afirmou que, “Quando implantamos o Cretea, já estruturamos uma programação de crescimento. A proposta é ampliar o serviço.”

A equipe multiprofissional inclui psiquiatras infantis, pediatras, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e assistentes sociais. A gerente do Cretea, Viviane Felipe, explicou a inclusão do atendimento odontológico: “A gente busca suprir o que ainda não está disponível e que faz diferença no cuidado. Muitas crianças apresentam sensibilidade sensorial elevada, o que dificulta a avaliação da saúde bucal. Por isso, identificamos essa necessidade e já estamos viabilizando o atendimento odontológico, que deve começar ainda neste mês.”

Pilares da Orientação Parental

A orientação parental é um dos principais pilares do serviço do Cretea. Viviane Felipe destacou que “Quando a família entende como lidar com a criança e como potencializar suas habilidades, os resultados aparecem. Já observamos avanços na comunicação e no comportamento.” As crianças participam de atividades em grupo e terapias individuais para estimular socialização, compartilhamento e brincadeiras. O espaço também conta com uma cozinha terapêutica, onde nutricionistas especializadas em autismo conduzem o preparo de alimentos, promovendo interação entre as crianças e suas famílias. Viviane Felipe acrescentou: “Mesmo com poucos meses de atendimento, já percebemos resultados expressivos nas famílias que aderem ao tratamento.”

Gabriela de Anchieta, 35 anos, mãe de Emanuelly, 4, procurou o serviço após saber do Cretea. Ela relatou que a filha tinha dificuldades de socialização e comunicação. “A Manu tinha muita dificuldade de socializar com outras crianças, e esse era o meu maior medo. Eu pensava: será que minha filha não vai conseguir brincar com outras crianças? Ela só interagia com as irmãs, que são três. Quando chegamos aqui, ela foi avaliada e iniciou acompanhamento com a psicóloga, porque se agredia e também me batia”, contou Gabriela. Ela também mencionou o acompanhamento com fonoaudióloga e nutricionista devido à dificuldade na fala e seletividade alimentar.

Após o início do acompanhamento, Emanuelly apresentou avanços significativos. “O que mais percebi de mudança foi na alimentação. A Manu aprendeu a comer e a experimentar novos alimentos. Na fonoaudiologia, o avanço foi muito grande. Antes, ela quase não se comunicava. Hoje, já desenvolveu a fala. É como se tivesse florescido”, disse Gabriela, emocionada. A psiquiatra infantil Yasmin Faro reforçou que “Quando o paciente participa regularmente das terapias, que são semanais, já é possível observar evolução nos primeiros meses.”

Acesso e Estratégias de Atendimento

O acesso ao serviço do Cretea é feito por meio do processo de regulação da Secretaria de Saúde, seguindo o perfil de atendimento e a classificação de risco de cada paciente. Os usuários são encaminhados a partir das filas existentes do Centro de Reabilitação (CER) e do Centro Especializado em Saúde Mental (Cesm), que antes era o Centro de Orientação Médico Psicopedagógica (Compp).

A porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS), onde as equipes da atenção primária realizam a avaliação inicial e, se necessário, encaminham o paciente para a regulação. O Cretea oferece diagnóstico, acompanhamento e intervenções adequadas para crianças com transtorno do espectro autista.

Viviane Felipe explicou o modelo de acompanhamento: “A criança entra, passa por uma avaliação e recebe uma caderneta com metas definidas com base em critérios científicos. Sabemos que o acompanhamento é contínuo ao longo da vida, mas nem todas precisam de todas as intervenções ao mesmo tempo.” O período inicial de atendimento é de cerca de seis meses, com reavaliação posterior e possível prorrogação. O Cretea também fortalece a atenção básica, transferindo conhecimento técnico e estratégias de atendimento às equipes.

A psiquiatra infantil Yasmin Faro destacou a importância da adesão familiar: “O tempo de acompanhamento varia, em média, de seis meses ou mais, conforme a resposta de cada criança. Como cada paciente é único, o tratamento também é individualizado, voltado às dificuldades específicas de cada um.” O tratamento começa com uma avaliação completa pela equipe multiprofissional e família, definindo prioridades em eixos como fala, comportamento e alimentação. “Nem todas as crianças seguem o mesmo tipo de terapia. Algumas se beneficiam mais de atendimentos em grupo, outras de forma individual. Há casos em que é preciso começar com atendimento individual para, depois, avançar para o grupo. Esse direcionamento é feito de forma contínua, conforme a evolução de cada paciente”, concluiu Yasmin Faro, enfatizando a essencialidade da atuação multidisciplinar para o desenvolvimento das crianças.

T LB

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