Terça-feira, 16/06/26

Anac apura se helicóptero envolvido em colisão no Rio fazia transporte clandestino

Anac apura se helicóptero envolvido em colisão no Rio fazia transporte clandestino
Anac apura se helicóptero envolvido em colisão no Rio fazia – Reprodução

MARCOS HERMANSON
FOLHAPRESS


A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), órgão fiscalizador do transporte aéreo no Brasil, afirmou nesta segunda-feira (15) que vai investigar por possível transporte clandestino de passageiros um dos helicópteros que colidiram no Rio de Janeiro.

A informação foi adiantada pelo presidente da agência, Thiago Faierstein, à GloboNews, e confirmada pelo órgão à Folha de S.Paulo.

Dois helicópteros se chocaram no ar acima do bairro Recreio dos Bandeirantes neste domingo (14). A colisão causou a morte de seis pessoas -dois pilotos e quatro passageiros.

Um dos helicópteros, o de prefixo PP-MAC, não tinha autorização para transporte remunerado de passageiros, mas carregava o youtuber argentino Gaspi, o cantor americano Oliver Tree, o produtor musical Lucas Frota e o cineasta argentino Lucas Vignale, além do piloto Alexandre Souza. Todos eles morreram na queda da aeronave que seguia para Angra dos Reis (RJ).

A Anac diz ter coletado indícios, numa apuração ainda preliminar, de que a aeronave estava sendo utilizada para transporte remunerado de passageiros, mesmo sem ter licença para prestar esse serviço.

“Precisamos verificar se essas aeronaves –ou pelo menos uma delas, a que estava com passageiros– estavam realizando o que a gente chama de transporte aéreo clandestino. Nós temos várias denúncias e algumas investigações em curso”, declarou Faierstein à GloboNews.

Ele ressalvou que os dois pilotos eram experientes e que as aeronaves se encontravam em situação regular, reforçando o que já havia dito o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), no domingo.

Na outra aeronave, de prefixo PR-DJJ e com destino à região serrana, estava o piloto Charles Marsillac, que também morreu. O proprietário deste último helicóptero detinha um contrato de prestação de serviços de transporte com a Prefeitura do Rio considerado irregular pela Anac.

Em troca de horas de voo em prol do município, o proprietário ganhou acesso ao heliponto da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul da capital fluminense. Maurício da Cunha e Silva, dono da aeronave, não se manifestou sobre o assunto. A Prefeitura do Rio também foi procurada, mas não respondeu.

“Aeronaves privadas [não certificadas para transporte/panorâmico] não podem receber compensação para realizar voos. Aeronaves desse tipo devem ser utilizadas para benefício do seu proprietário ou operador e seus convidados. O transporte não pode ser cobrado”, afirmou a Anac em nota.

Investigadores do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), ligado à Força Aérea, vão conduzir um inquérito sobre as causas do acidente.


T LB

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