Segunda-feira, 11/05/26

Solto na trégua, ex-refém israelense relata abuso sexual em cativeiro

Rom Braslavski ficou mais de 700 dias em cativeiro em Gaza após ser sequestrado no ataque do Ham...

Um ex-refém israelense, Rom Braslavski, de 21 anos, que foi libertado durante o cessar-fogo na Faixa de Gaza, revelou ter sofrido abuso sexual enquanto estava em cativeiro. A denúncia foi feita em entrevista ao programa Hazinor, transmitido pelo Canal 13 de Israel.

Braslavski detalhou que foi despido e amarrado por membros da Jihad Islâmica Palestina, um grupo aliado ao Hamas. Segundo seu relato, o ato tinha como principal objetivo a humilhação e a destruição de sua dignidade. “Foi violência sexual, e seu principal objetivo era a humilhação”, afirmou Braslavski.

O jovem estava de folga do serviço militar e trabalhava como segurança no festival de música Nova quando o ataque de 7 de outubro de 2023 ocorreu. Ele se torna o primeiro homem sobrevivente do cativeiro a alegar ter sofrido abuso sexual. Anteriormente, ao menos quatro mulheres que foram mantidas como reféns relataram supostos incidentes de violência sexual contra elas mesmas ou outras prisioneiras.

Braslavski relatou que o tratamento violento por parte de seus captores se intensificou após sua recusa em se converter do judaísmo ao islamismo em março deste ano, período em que o cessar-fogo em vigor também entrou em colapso. Como consequência, ele afirma ter permanecido vendado por três semanas, com pedras introduzidas em seus ouvidos para limitar sua audição, além de ter suas rações de comida e água reduzidas.

Após a recusa, membros da Jihad Islâmica teriam recebido ordens para torturá-lo. Braslavski descreveu ter sido amarrado, socado e chicoteado com um cabo de metal repetidas vezes ao longo do dia. “Entrei num ciclo vicioso do qual duvidava que sairia vivo”, recordou.

Em agosto, um vídeo divulgado pela Jihad Islâmica Palestina mostrava o jovem em prantos, alegando estar sem comida e água, incapaz de se manter em pé ou caminhar, e “à beira da morte”. Braslavski afirma que, após a divulgação do vídeo, seus captores iniciaram os atos de abuso sexual.

“Eles me despiram completamente, tiraram minhas roupas, minhas roupas íntimas, tudo. Me amarraram… Quando estava completamente nu, exausto, morrendo de fome, rezei a Deus: ‘Me salve, me tire daqui logo'”, relatou. Ao ser questionado sobre se seus captores fizeram “mais coisas assim”, o jovem confirmou, demonstrando dificuldade em detalhar os acontecimentos: “Sim. É difícil para mim falar especificamente sobre essa parte. Não gosto de falar sobre isso. E é difícil. Foi uma coisa horrível”.

O presidente israelense, Isaac Herzog, manifestou apoio a Braslavski, elogiando sua “coragem extraordinária ao compartilhar os horrores de seu cativeiro, incluindo um horrível abuso sexual que sofreu”. Ele ainda enfatizou a necessidade do mundo compreender a dimensão dos crimes cometidos pelos terroristas.

Um oficial da Jihad Islâmica Palestina negou a alegação de abuso sexual, classificando-a como “incorreta”, sem apresentar mais detalhes.

Em março de 2024, uma equipe de especialistas da ONU relatou ter encontrado “informações convincentes” de estupro e tortura sexual contra alguns reféns em Gaza. O grupo também afirmou ter evidências de violência sexual em vários locais durante os ataques de 7 de outubro de 2023.

Fonte: veja.abril.com.br

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