Quarta-feira, 17/06/26

Limeira (SP) recusa doação pelo governo federal de ponte onde jovem morreu em salto sem cordas

Limeira (SP) recusa doação pelo governo federal de ponte onde jovem morreu em salto sem cordas
Limeira (SP) recusa doação pelo governo federal de ponte onde – Reprodução

PRISCILA MENGUE
FOLHAPRESS


A SPU (Secretaria do Patrimônio da União) indicou a possibilidade de doação ou cessão da ponte do Esqueleto à Prefeitura de Limeira em reunião na tarde de segunda-feira (15). Uma jovem de 21 anos morreu no local no sábado (13) após ser lançada sem equipamento de segurança por instrutores de “rope jump” (salto com corda).

A alternativa foi apresentada pelo superintendente da SPU no estado, Celso Santos Carvalho, em reunião com autoridades federais e locais. Foi recusada, contudo, pelo município do interior de São Paulo.

O prefeito de Limeira, Murilo Félix (Podemos), respondeu que não haveria interesse público em receber a estrutura e que a gestão teria outras prioridades. Também defendeu a atuação da Polícia Federal no local.

Embora tenha o acesso proibido, a ponte é frequentada por praticantes de esportes radicais e ciclistas há anos. Ao menos três grupos realizam saltos de “rope jump” no local, especialmente em fins de semana. A empresa em que atuavam os instrutores indiciados cobrava R$ 180 por pessoa.

Na reunião, autoridades locais informaram sobre a identificação de atividades com saltos anunciadas para o local ao menos até meados de setembro. As demais empresas com atuação na região têm postado em redes sociais sobre os procedimentos de segurança adotados e compartilhado depoimentos de clientes.

Ponte onde jovem morreu em Limeira (SP) tem fácil acesso e nenhuma segurança A estrutura está localizada no limite entre Limeira com Cordeirópolis. As prefeituras de ambos os municípios defendem a derrubada da ponte, que é uma das soluções definitivas em discussão pela SPU, secretaria vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

Por ora, o governo federal anunciou que instalará barreiras físicas de acesso e placas de aviso de que se trata de propriedade da União e que a entrada é proibida. Já a prefeitura de Limeira se comprometeu a reabrir a vala que havia sido feita a pedido da União em 2024, para dificultar o acesso. A vala foi fechada por terceiros.

A ponte foi herdada pela União após a extinção de estatais ferroviárias há cerca de 20 anos. O governo diz que a transferência da estrutura pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) à SPU foi oficializada em maio.

Há histórico de acidentes graves no local. No ano passado, duas pessoas ficaram feridas durante a prática de “rope jump”. Em 2024, uma ciclista morreu ao cair da ponte.

RELEMBRE O CASO

Pessoas que estavam no local registraram o momento em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, foi lançada. Ela não estava presa a uma corda ou outro equipamento de segurança.

Os instrutores da empresa Entre Cordas Luis Felipe Feliciano Egoroff, 32, Vitor de Freitas Gonçalves, 27, e Maicon Fernandes Cintra, 42, foram indiciados por homicídio com dolo eventual. A conversão da prisão em preventiva ocorreu no domingo (14).

O advogado do grupo diz que os instrutores prestaram os primeiros socorros, além de chamar o caso de uma “tragédia”.

Ao todo, seis pessoas foram conduzidas à delegacia. Três estão indiciadas, enquanto as demais constam como investigadas.

Conforme o boletim de ocorrência, dois homens fugiram para uma área de mata quando policiais chegaram ao local. Foi necessário o acionamento de reforços com viaturas e helicóptero.

Outros dois investigados trocaram de roupas antes da chegada dos policiais, mas foram identificados. O corpo de Maria Eduarda foi enterrado no domingo em Jandira, na Grande São Paulo.

O rope jumping consiste em saltos de grandes alturas com o praticante preso a cordas que produzem um movimento de balanço após a queda. Também conhecido como “pêndulo humano”, difere do salto com bungee jump, que utiliza uma corda elástica que provoca rebotes.

A ponte do Esqueleto é um conhecido ponto de saltos na região. Em audiência pública no ano passado, empresário do setor disse a vereadores de Limeira que cerca de 500 pessoas participam de atividades no local mensalmente.


T LB

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