Quarta-feira, 17/06/26

El Niño ameaça safras de cacau, café e açúcar em países tropicais

El Niño ameaça safras de cacau, café e açúcar em países tropicais
El Niño ameaça safras de cacau, café e açúcar em – Reprodução

A possibilidade de um forte fenômeno El Niño no segundo semestre do ano preocupa produtores de cacau, café e açúcar em diferentes regiões tropicais. O aquecimento das águas do Pacífico oriental tende a elevar as temperaturas e a alterar o regime de chuvas, com impactos que podem variar de seca a excesso de precipitação.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a chegada do El Niño na semana passada e informou que o padrão climático provavelmente se intensificará. Segundo a agência, há 63% de probabilidade de um El Niño muito forte, ou “super El Niño”, se aproximando em 2027.

No cacau, a preocupação é especialmente alta na África Ocidental, responsável por cerca de metade da produção mundial, com Costa do Marfim e Gana entre os principais produtores. A matéria destaca que os episódios fortes de El Niño dos últimos 55 anos reduziram a produção da commodity, segundo a WisdomTree. No último evento, chuvas excessivas atingiram a região no início do fenômeno, expondo os cacaueiros a doenças fúngicas, antes de o clima se inverter e trazer calor intenso e ventos Harmattan secos, o que enfraqueceu as árvores.

No café robusta, o El Niño costuma trazer temperaturas mais altas e menos chuva para Vietnã e Indonésia, que juntos respondem por cerca de 50% da produção mundial. Os impactos aparecem principalmente na fase de desenvolvimento da cultura e são sentidos a partir do quarto trimestre, durante a colheita. Já no café arábica, com quase metade da produção concentrada no Brasil, o efeito pode ser inicialmente positivo para a safra em colheita, ao reduzir o risco de geadas, mas tende a se tornar negativo no quarto trimestre, quando a próxima safra estará em desenvolvimento.

No açúcar, o padrão climático costuma provocar chuvas excessivas no Brasil, principal produtor mundial, o que pode prejudicar a safra e reduzir sua qualidade. Na Índia, segundo maior produtor, e na Tailândia, segundo maior exportador, o efeito é o oposto: menos chuva durante a monção de verão. A Índia espera para a monção de 2026 o menor volume de chuvas em 11 anos, com precipitação estimada em 90% da média no período de junho a setembro. Carlos de Mello, da Hedgepoint, estima que mesmo um El Niño moderado possa reduzir em cerca de 1 milhão de toneladas métricas a produção indiana.

No Brasil, o El Niño também pode trazer efeitos diferentes ao longo do tempo. Embora as chuvas acima da média possam beneficiar a safra de açúcar de 2027, analistas avaliam que o cenário geral segue de risco para diversas commodities agrícolas em países tropicais, em um momento em que produtores já lidam com os choques nos preços de fertilizantes e diesel.

T LB

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