Preso e no centro de uma das investigações financeiras mais sensíveis do país, o banqueiro Daniel Vorcaro se prepara para uma terceira tentativa de firmar um acordo de delação premiada. A nova investida ocorre após duas propostas terem sido rejeitadas por investigadores, que consideraram os relatos insuficientes e marcados por omissões relevantes como o rastro do dinheiro escondido, pois precisam voltar para o Estado e empresas que foram surrupiadas.
Segundo reportagem publicada por O Globo nesta quinta-feira (18), o advogado Sérgio Leonardo, responsável pela defesa de Vorcaro, estuda apresentar uma nova proposta de colaboração à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal. As negociações se arrastam desde maio, mas até agora não conseguiram convencer as autoridades responsáveis pela investigação.
A primeira proposta foi rejeitada em 21 de maio. A segunda teve o mesmo destino nos últimos dias. Nos bastidores, a avaliação de integrantes da PGR, da Polícia Federal e do gabinete do ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), é de que as colaborações apresentadas até agora revelaram menos do que esconderam.
Um dos principais obstáculos para a homologação do acordo é a inconsistência dos relatos. De acordo com a reportagem, Vorcaro apresentou versões diferentes sobre alguns personagens e episódios nas duas propostas já entregues. A situação levanta dúvidas sobre a credibilidade das informações e dificulta o avanço das negociações.
Especialistas em investigações criminais avaliam que a coerência dos depoimentos é um dos requisitos centrais para que uma delação premiada seja aceita. Quando o colaborador altera versões ou omite fatos relevantes, a confiança dos investigadores é comprometida e o valor probatório das informações diminui.
Nos meios jurídicos, a percepção é de que a terceira tentativa pode representar um momento decisivo para o banqueiro. Caso apresente informações inéditas, documentos e provas capazes de corroborar seus relatos, as chances de um acordo avançarem aumentam. Por outro lado, uma nova proposta considerada incompleta poderá consolidar a resistência já existente entre os órgãos responsáveis pela apuração.
Enquanto a negociação segue em curso, a expectativa permanece baixa entre os investigadores. A avaliação predominante é de que apenas uma colaboração ampla, consistente e respaldada por provas será capaz de alterar o cenário atual e abrir caminho para a homologação do acordo no Supremo Tribunal Federal. Mais do que revelar nomes e detalhes do suposto esquema sob investigação, a expectativa das autoridades é que eventuais prejuízos causados aos cofres públicos, investidores e empresas atingidas sejam devidamente quantificados e ressarcidos. Nos bastidores, cresce a avaliação de que não basta contar o que aconteceu: será necessário reparar os danos provocados pelas irregularidades que vierem a ser comprovadas pela Justiça.








