Dados da Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) apontam que os pedidos de asilo no Brasil aumentaram 11% em 2025. A agência também avalia que houve avanço nas políticas nacionais para garantir acesso à permanência legal, ao emprego, a serviços essenciais e a oportunidades de inclusão.
O aumento dos pedidos no país segue a tendência do continente americano, que no ano passado foi a principal região em deslocamento forçado, superando a África Oriental e Austral e o Oriente Médio. Segundo a Acnur, o número de refugiados nas Américas chegou a 22,8 milhões de pessoas, liderados por cidadãos venezuelanos acolhidos, quase em totalidade, por países da América Latina e do Caribe.
Neste sábado, 20 de junho, Dia Mundial do Refugiado, o representante da Acnur no Brasil, Davide Torzilli, afirmou que a data é de alerta, diante de mais de 117 milhões de pessoas ainda deslocadas à força no mundo, embora esse contingente tenha registrado queda pela primeira vez em mais de uma década. Ele defendeu que autoridades de todo o mundo promovam autonomia, independência e soluções de longo prazo para refugiados, além de ações humanitárias. As informações são da Agência Brasil.
No Rio de Janeiro, a data foi marcada pela feira Rio Refugia, coorganizada pela instituição Abraço Cultural, PARES Cáritas RJ e Sesc RJ desde 2017. No ano passado, o evento foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Estado do Rio de Janeiro pela Assembleia Legislativa. A programação ocupou o Sesc Tijuca, na Zona Norte da capital, neste sábado (20) e domingo (21), com feira gastronômica e de produtos de moda e arte, além de apresentações musicais e oficinas.
Todos os expositores da feira são pessoas refugiadas que vivem no Brasil, originárias de nove países: Venezuela, Colômbia, Angola, República Democrática do Congo, Síria, Nigéria, Irã, Cuba e Líbano. Refugiados de outros países também participaram como mediadores das oficinas.
As histórias dos participantes mostram trajetórias marcadas pela reconstrução da vida no Brasil. A artesã venezuelana Mili Yanes vive entre o Brasil e a Venezuela há 14 anos e, em 2016, conseguiu autorização para viver de forma permanente no país. Já Anitha Agossou, nascida no Benim, participou do evento oferecendo uma oficina de turbantes ao lado da amiga Sylivia Korberwa, de Uganda. As duas se conheceram nas aulas de português oferecidas pelo PARES Cáritas a refugiados recém-chegados.
Anitha chegou ao Brasil em 2019, seguindo familiares que já viviam no país. Formada em Comunicação e Marketing no Benim, ela afirma que refugiados deixam seus países para fugir de situações adversas e que muitos chegam ao Brasil com formação profissional. Sylivia, por sua vez, é formada em assistência social e trabalhava como bancária em Uganda antes de vir para o Brasil há 7 anos, com a filha de um ano. Hoje, as duas lecionam idiomas na Abraço Cultural: Sylivia dá aulas de inglês e Anitha de francês.
O PARES Cáritas, instituição onde elas se conheceram, costuma ser o primeiro lugar procurado por refugiados ao chegarem ao Rio de Janeiro. Lá, recebem acolhimento, informações sobre regularização da situação no país e acesso a direitos básicos, além de aulas de português e capacitação profissional. Segundo a coordenadora geral, Aline Thuler, a instituição realizou cerca de 1,2 mil atendimentos no primeiro trimestre deste ano, a pessoas de quase 60 nacionalidades, com aumento de pessoas vindas do Haiti e da Síria.
Aline afirma que as leis brasileiras de acolhimento a refugiados são exemplo mundial, mas ainda há dificuldades para efetivar os direitos previstos. Entre os principais desafios, segundo ela, estão o desconhecimento na ponta sobre a condição dos refugiados, a burocracia para validar diplomas e a reinserção profissional. Ela alerta ainda que essas barreiras aumentam a vulnerabilidade a exploração e até ao trabalho análogo à escravidão.








