Terça-feira, 23/06/26

João de Deus retorna ao banco dos réus decisão do STJ

João de Deus retorna ao banco dos réus decisão do STJ
João de Deus retorna ao banco dos réus decisão do – Reprodução

Justiça

O STJ considerou que as vítimas só compreenderam a violência após novas denúncias virem a público, que revelaram o padrão dos abusos

Caso João de Deus envolve denúncias de abusos cometidos em atendimentos espirituais (Foto: reprodução)

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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) retorna o médium João de Deus ao banco dos réus. A suprema corte restabelece a acusação de estupro de vulnerável contra o religioso em caso que apura abusos cometidos durante atendimentos espirituais em Abadiânia, onde ele recebia fiéis de diversas partes do Brasil e do mundo. Em fases anteriores do processo, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) havia afastado parte das acusações sob o entendimento de que algumas vítimas não teriam formalizado a representação dentro do prazo legal. Com a decisão, o processo volta a tramitar na Justiça goiana para a continuidade da análise das acusações, que envolvem denúncias de mulheres que afirmam ter sido vítimas de violência sexual durante as sessões.

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Prazo e compreensão da vítima

Ao recorrer ao STJ, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) sustentou que, em situações de abuso marcadas por relação de confiança, manipulação psicológica e assimetria de poder, as vítimas nem sempre conseguem compreender imediatamente que foram submetidas a um crime. Por isso, o prazo para responsabilização não deveria ser contado automaticamente a partir dos fatos.

O STJ acolheu esse entendimento e considerou que o prazo só começa a ser contado a partir do momento em que a vítima tem condições reais de entender a gravidade da violência sofrida. No caso analisado, essa percepção teria ocorrido anos depois, quando outras denúncias vieram a público e tiveram ampla repercussão na imprensa.

A Corte também destacou a necessidade de análise do contexto de violência sexual com atenção às dinâmicas psicológicas envolvidas, como a reação involuntária de paralisação diante de situações de ameaça, reforçando a avaliação das circunstâncias de vulnerabilidade das vítimas.

Com a decisão, o STJ derrubou parte do entendimento anterior do Tribunal de Justiça de Goiás e determinou o retorno do processo ao tribunal de origem, que deverá retomar a análise das acusações conforme as diretrizes fixadas pela Corte superior.

O Mais Goiás não localizou a defesa de João de Deus até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

João de Deus

João de Deus foi preso em dezembro de 2018 e, em razão da idade avançada e de problemas crônicos de saúde, passou a cumprir prisão domiciliar em Anápolis, município localizado a cerca de 35 quilômetros da Casa Dom Inácio de Loyola. Atualmente, aos 83 anos, ele é monitorado por tornozeleira eletrônica e, após o julgamento de recursos no Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), teve a soma de suas condenações reduzida de quase 480 anos para 211 anos e um mês de prisão por crimes sexuais cometidos contra centenas de mulheres.

T LB

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