No entanto, podemos já estar em meio a uma transição desse momento para um novo modelo de consumo de informação. Há quem sustente que estejamos entrando em uma espécie de “era pós-feed” na internet. Com modelos de inteligência artificial cada vez mais sofisticados e precisos, nossa interface principal mudaria de um feed para um agente pessoal. Teríamos, nesse cenário, resumos e informações ainda mais personalizadas, baseados em interesses pessoais e comandos específicos. No lugar de uma “vitrine” organizada de forma algorítmica, haveria uma experiência inteiramente particular.
Isso é o pilar argumentativo na análise produzida pela New_ Public (com as ressalvas de que, um, se trata de uma organização que advoga em favor da construção de espaços públicos digitais saudáveis e, dois, contribui consideravelmente para acionar meu TOC ao colocar essa linha sublinhada solta no meio do nome), mas também está, com outro ângulo, refletido nos argumentos de Ben Thompson em seus artigos sobre agentes de IA no ganho de eficiência e sobre a construção de comunidades em torno de temas e marcas como alternativa a produtores de conteúdo – tema impecavelmente explorado pelo Rafael Sbarai na última edição da sua newsletter.
Mesmo que a previsão de um agente pessoal informativo substituindo nossos feeds ainda seja pura extrapolação e careça de outros fatores e variáveis para se concretizar (haja vista as limitações de infraestrutura tecnológica, alfabetização digital e desafios com provimento de acesso adequado às redes), a recapitulação da história até aqui nos mostra que a internet tal como usamos chegou nesse formato há pouquíssimo tempo e o advento da inteligência artificial tem potencial de remodelar tudo. O feed infinito pode não acabar, mas a julgar pelo volume de conteúdo sintético circulando na internet, existe um ponto de saturação inevitável. E nesse rumo, ele se esgota.
Agora, mesmo que essa substituição não aconteça nessas proporções e ritmo, ainda assim a defesa da relevância do jornalismo (nosso quintalzinho aqui) precisa se deslocar de sua tentativa de dar escala à cobertura editorial para investir na construção de comunidades em torno de seus pontos de autoridade e relevância reconhecida.
Já era?
O jornalismo não é um negócio de escala. Não mais. A única mídia de massa que tivemos no Brasil foi a televisão (desculpem o uso do pretérito mais que perfeito. Convenhamos, nunca foi tão perfeito assim). Há também quem defenda o rádio nessa categoria, mas o rádio é um meio de nichos com alta penetração. É diferente.







