Quinta-feira, 25/06/26

Dólar ronda estabilidade e Bolsa tem forte alta com dados de inflação do Brasil e dos EUA em foco

Dólar ronda estabilidade e Bolsa tem forte alta com dados de inflação do Brasil e dos EUA em foco
Dólar ronda estabilidade e Bolsa tem forte alta com dados – Reprodução

O dólar ronda a estabilidade nesta quinta-feira (25), com investidores repercutindo novos dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos.

As atenções também estão voltadas para o BC (Banco Central), que divulgou mais cedo projeções atualizadas para indicadores econômicos por meio do Relatório de Política Monetária. O presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, ainda concede entrevista coletiva sobre a publicação.

Às 11h42, a moeda tinha perdas de 0,16%, cotada a R$ 5,191. Já a Bolsa tinha forte alta de 1,56%, a 173.170 pontos, com os holofotes do noticiário corporativo direcionados a Braskem e Americanas.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a inflação medida pelo IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15), uma prévia do dado oficial, desacelerou a 0,41% em junho, após marcar 0,62% em maio.

Os números vieram abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,44%, conforme a agência Bloomberg. Ainda assim, é o maior resultado para junho em quatro anos, desde 2022 (0,69%).

No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 acelerou a 4,8% até junho, após marcar 4,64% até maio.

O grupo alimentação e bebidas subiu menos neste mês, mas seguiu como principal fonte de pressão sobre o índice. Individualmente, a carestia da energia elétrica também impactou o resultado.

O resultado, segundo André Valério, economista sênior do Inter, sugere que o processo inflacionário caminha para normalização após o choque energético causado pela guerra no Oriente Médio, que encareceu os preços de combustíveis e alimentos em todo o mundo.

“Com o arrefecimento da inflação de combustíveis e início de desaceleração da inflação de alimentos, podemos ver a continuidade dessa normalização nas próximas leituras, pré-requisito para a continuidade do ciclo de calibração da Selic. Ainda assim, o ambiente é altamente incerto”, afirma.

Ele cita incertezas à frente, como o fenômeno climático El Niño, que poderá pressionar a inflação de alimentos no quarto trimestre, e os efeitos do câmbio em R$ 5,20, patamar ao qual a moeda brasileira retornou na véspera.

“De toda forma, o resultado sugere que o impacto da guerra não foi suficiente para reiniciar o processo inflacionário. Mantemos nossa expectativa de novo corte na Selic na reunião de agosto e continuidade da cautela na condução da política monetária com as decisões sendo tomadas reunião a reunião.”

A Selic foi cortada em 0,25 ponto percentual na semana passada, a 14,25% ao ano, em decisão que criou ruídos no mercado. Ao justificar o corte, o Copom (Comitê de Política Monetária) alongou, na prática, o prazo para o cumprimento da meta de inflação do último trimestre de 2027 para o primeiro de 2028. O alvo para a inflação é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo.

Para muitos analistas, o discurso do BC demonstrou certa leniência com a inflação. Investidores agora aguardam a entrevista coletiva de Galípolo, em busca de pistas sobre como será a condução da política monetária nos próximos meses.

Antes da abertura do mercado o BC divulgou o Relatório de Política Monetária, elevando de 1,6% para 2% a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2026, citando a aceleração da atividade, o mercado de trabalho resiliente e as medidas de estímulo do governo.

Em seu cenário de referência, que segue projeções de mercado para os juros, o BC projetou que a inflação seguirá em alta no segundo, no terceiro e no quarto trimestre deste ano, fechando 2026 em 5,2% -acima do teto de 4,5% da meta perseguida. Depois, conforme as projeções do BC, a inflação cairá gradualmente até 3,7% no fim de 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, chegando a 3,1% no fim de 2028, último período analisado.

À espera de Galípolo e já embalados pelos dados de inflação, os juros futuros engataram na terceira sessão consecutiva de queda.

A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,135%, em baixa de 0,19 ponto percentual. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,135%, queda de 0,08 ponto.

No exterior, dados de inflação dos Estados Unidos são destaque. O índice PCE, o preferido do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) para balizar as decisões de juros, avançou 4,1% nos 12 meses até maio, no maior aumento desde abril de 2023.

O dado fez o mercado recalibrar as expectativas sobre a política monetária americana. A expectativa agora é que o Fed não aumente os juros na próxima reunião, e sim em setembro.

Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, os operadores precificam apenas 30% de chance de um aumento dos juros na reunião do banco central de 28 a 29 de julho, contra quase 40% de mais cedo.

Eles ainda veem cerca de 80% de chance de que o Fed aumente sua taxa de juros de referência na reunião de 15 e 16 de setembro, em vez de mantê-la na faixa atual de 3,50% a 3,75%.

O Fed tem como meta uma variação de 2% do PCE ao longo de 12 meses, meta que não é atingida há mais de cinco anos e que o chair do Fed, Kevin Warsh, em sua primeira reunião neste mês, afirmou que será cumprida.

Operadores e analistas interpretaram essa declaração e outras sobre a necessidade de reduzir a inflação como um fator que aumenta as chances de aumentos da taxa de juros no curto prazo.

“O relatório do PCE de maio é um lembrete de que a batalha contra a inflação ainda não acabou, mas também não é um sinal claro de que as pressões subjacentes sobre os preços estejam voltando a subir”, escreveu Martin Beck, economista-chefe da Public Policy Holding Company (PPHC), em uma nota, acrescentando que o núcleo do PCE não acelerou em relação ao mês anterior.

Juros mais altos nos Estados Unidos são uma má notícia para investimentos em todo o mundo. Quanto maior a taxa, pior para ativos emergentes, já que a renda fixa norte-americana é considerada um investimento praticamente livre de risco e, com os Fed Funds em alta, exibe retorno atrativo.

T LB

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