O delay, do ponto de vista técnico, é a diferença entre, numa transmissão ao vivo, daquilo que acontece no campo e o que acontece na sua tela. A bola está rolando nos Estados Unidos, isso é filmado e vai para um servidor. O dado tem que passar por cabo submarino, aportar no Brasil em Fortaleza, descer para o Rio de Janeiro e entrar num data center. Depois, a transmissora empacota: narrador, logomarca, patrocinador. Quem está mais perto de São Paulo e Rio tende a receber antes. Depois, o dado vai para os hubs locais. Por isso, alguém em Campo Grande (MS) pode receber depois de alguém no Rio.
Helton Simões Gomes
Para explicar a “engenharia do delay”, Helton conversou com Tiago Pongelupi, diretor da Elea, empresa de data centers com unidades em São Paulo, Fortaleza, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Antes de chegar à casa das pessoas, a transmissão passa por essas grandes centrais de dados, e, no caso da Copa, os serviços da Globo ficam hospedados na estrutura da companhia.
No primeiro jogo do Brasil, um empate com o Marrocos, o data center da Elea no Rio registrou pico de 865 Gigabytes por segundo, o equivalente a 30 mil fotos enviadas por segundo, quatro vezes a média habitual.
Além do caminho físico, as plataformas de streaming adicionam uma etapa para “enganar” o usuário: o serviço guarda na memória alguns frames na memória do celular, da TV ou do computador; ao soltá-las, mantém a imagem fluida. O processo é chamado de buffering.
O serviço não pega e manda a cena direto pra gente. Para dar aquela sensação de movimento, ele vai acumulando as informações, segura um pouquinho, guarda na memória. Depois, começa a soltar. Tudo isso acontece em segundos, é super rápido, mas entra na conta do delay. E, como não dá para fazer as distâncias físicas sumirem, o delay nunca vai deixar de acontecer. Ponto final. Só que tem formas de reduzir o delay.
Helton Simões Gomes
Na lista do que depende das plataformas, Helton afirma que empresas de transmissão precisam levar conteúdo para mais hubs locais e ampliar a infraestrutura de conectividade, como backbone de fibra óptica, roteadores e switches. Mas, como isso custa caro, o cálculo, no fim das contas, é investir milhões de reais para cortar “alguns segundos” do delay.







