Quarta-feira, 01/07/26

PF diz que compra de imóvel de Sóstenes não teve origem dos recursos comprovada

PF diz que compra de imóvel de Sóstenes não teve origem dos recursos comprovada
PF diz que compra de imóvel de Sóstenes não teve – Reprodução

JOSÉ MARQUES
FOLHAPRESS


A Polícia Federal afirmou, ao pedir buscas e apreensões ligadas ao deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que há “inconsistências financeiras” e “ausência de lastro bancário” na transação imobiliária usada pelo parlamentar para justificar os R$ 468 mil apreendidos em sua residência em dezembro do ano passado.

Pessoas e empresas ligadas ao líder do PL na Câmara dos Deputados foram alvos de busca e apreensão nesta quarta-feira (1º), sob autorização do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Entre os alvos estão o advogado Thiago Ferreira de Paula e seu escritório. A casa de Paula foi apontada por Sóstenes como origem do dinheiro vivo apreendido em Brasília em operação no fim de 2025.

Com base em análise de quebras de sigilo e de relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a PF apontou a falta de comprovação da origem desses recursos e “movimentações incompatíveis com a renda ostensiva do suposto comprador”.

Thiago ou sua defesa não foram localizados pela reportagem. Procurado desde as 7h por mensagem à sua assessoria de imprensa, Sóstenes Cavalcante ainda não se manifestou.

Como a Folha de S.Paulo revelou em janeiro, a transação imobiliária usada como justificativa por Sóstenes só foi oficializada em cartório quase duas semanas após a ação da PF.

A escritura de venda da casa em Ituiutaba (MG) foi assinada no dia 30 de dezembro. O ato foi lavrado 11 dias após a PF apreender o dinheiro, no dia 19 de dezembro.

Segundo a PF, a escritura faz “referência a um suposto ajuste pretérito, segundo o qual o pagamento em espécie teria ocorrido em 24/11/2025. Em outras palavras, os interessados somente levaram a registro cartorário após a apreensão do numerário, uma narrativa documental destinada a conferir lastro formal a uma alegada transação pretérita”

A polícia afirma, ainda, que o comunicado do Coaf diz expressamente que “não foi identificado saque de valores contemporâneos à data da compra, por parte de Thiago de Paula”.

“Ao revés, a mesma análise revelou quadro financeiro atípico em nome de Thiago Ferreira de Paula”, diz a PF. “[O Coaf] apontou que ‘o total movimentado a crédito representa cerca de 17,76 vezes o valor da renda cadastrada’, superando em aproximadamente R$ 608.754,30 a capacidade declarada do titular, além de consignar que não foram apresentados documentos comprobatórios capazes de justificar e fornecer lastro para as expressivas transações em conta corrente.”

A operação desta quarta é a terceira fase da Operação Rent a Car, que fez buscas no fim do ano passado para investigar suspeitas de desvios de recursos públicos de cotas parlamentares.

À época, o deputado afirmou à imprensa que sofre perseguição por ser de direita e que o dinheiro vivo encontrado em seu endereço se referia à venda do imóvel na semana anterior.

Foram apreendidos pela PF nesta quarta aproximadamente R$ 160 mil e US$ 502 em espécie, além de celulares, notebook e relógios de luxo. Em dois alvos do Distrito Federal foi encontrado dinheiro em espécie dentro de livros falsos.

A PF afirma que a atual fase tem o objetivo de aprofundar as apurações sobre a movimentação e destinação dos recursos relacionados ao desvio de cota parlamentar.

São apuradas suspeitas de crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais.

A cota parlamentar é um valor mensal que o deputado recebe para custear despesas do exercício do mandato, como aluguel de escritório no estado, passagens aéreas e aluguel de carro.

A suspeita da polícia na operação do ano passado era de que uma empresa de locação de carros contratada pelos deputados e paga por meio da cota parlamentar continuou recebendo dinheiro mesmo depois de ser dissolvida irregularmente.


T LB

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