O Ministério da Saúde anunciou, ontem (30), um conjunto de ações estratégicas para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) diante de eventos climáticos extremos e dos impactos do fenômeno El Niño. As medidas foram apresentadas pelo ministro Alexandre Padilha, que destacou atenção especial ao Distrito Federal e aos estados da região Centro-Oeste.
O anúncio ocorreu durante coletiva de imprensa no auditório Emílio Ribas, na sede da pasta, em Brasília, com a participação da secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVS), Mariângela Batista Galvão Simão, do diretor da Força Nacional do SUS, Rodrigo Guerino Stabeli, e da diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador (DVSAT), Agnes Soares da Silva.
Antes de detalhar as ações, a diretora do DVSAT alertou para os riscos previstos. O primeiro boletim oficial do Painel El Niño 2026/2027, elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e parceiros, confirmou a configuração do fenômeno em junho e indica probabilidade superior a 90% de permanência até o início de 2027. A combinação de temperaturas acima da média e chuvas escassas eleva o risco de estresse térmico e de grandes queimadas no Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
Relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do próprio ministério reforçam a gravidade do cenário: um a cada 12 hospitais brasileiros corre risco de paralisação diante de eventos climáticos extremos. No mundo, uma a cada quatro mortes está associada a fatores ambientais. No Brasil, dados da Fiocruz apontam 120 óbitos por calor extremo entre 2000 e 2019, além do aumento do risco de partos prematuros.
Para antecipar esses impactos, a pasta prevê a implantação dos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) nas cinco regiões do país. Como parte dessa estratégia, Padilha anunciou a criação de uma unidade em Cuiabá (MT), com funcionamento previsto para 2027. O centro será responsável por monitorar dados meteorológicos e indicadores de saúde pública no Distrito Federal e nos estados do Centro-Oeste, o que permitirá antecipar crises e orientar decisões em tempo real.
O sistema também unificará dados epidemiológicos, demográficos e socioeconômicos para monitoramento contínuo de riscos. A base permitirá a emissão de alertas precoces e o planejamento de ações, desde a mobilização de equipes até o suporte técnico a profissionais de saúde, além de orientações preventivas à população, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis.
“Temos atenção redobrada ao Centro-Oeste, onde a principal preocupação são as grandes queimadas e seus efeitos imediatos na qualidade do ar e no aumento de doenças respiratórias”, afirmou o ministro.
Medidas e ações anunciadas
O Ministério da Saúde ampliará a estrutura da Força Nacional do SUS para oito bases regionais, o que garante cobertura estratégica em todo o país. Com a mudança, as equipes poderão chegar a qualquer local em até 12 horas e iniciar atendimento especializado em até 72 horas.
Em campo, a atuação envolve avaliação de danos, diagnóstico situacional e apoio direto a estados e municípios. Para operações em áreas remotas, as Equipes de Resposta Rápida contarão com viaturas, rádios, sistemas via satélite, drones e equipamentos de reconhecimento.
“O Ministério da Saúde considera a crise climática, antes de tudo, uma crise de saúde pública. Com as bases descentralizadas, ampliamos em até 20 vezes a capacidade de resposta rápida, com equipes e estruturas mais próximas dos territórios”, destacou Padilha.
Outra iniciativa é o Painel Nacional de Monitoramento e Previsão de Excesso de Calor. A ferramenta oferece previsões diárias para os 5.570 municípios, com até cinco dias de antecedência, e integra dados climáticos a indicadores de vulnerabilidade social para orientar ações de prevenção.
A formação em saúde também entrou no pacote de ações. O ministério selecionou 197 projetos para a 13ª edição do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), voltada aos impactos das mudanças climáticas. Com R$ 266 milhões e 12,6 mil bolsas, esta é a maior edição do programa.
As iniciativas fazem parte do AdaptaSUS, Plano Nacional de Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas. A estratégia reúne 27 metas e 93 ações até 2035, com investimento de R$ 9,8 bilhões. Neste ano, o Ministério da Saúde já destinou R$ 16,3 milhões para respostas emergenciais, sendo R$ 12,7 milhões direcionados à assistência em desastres
Mais informações estão disponíveis no site do Ministério da Saúde.








