Quarta-feira, 08/07/26

Comissão discute proibição de redes sociais para menores de 16 anos

Comissão discute proibição de redes sociais para menores de 16 anos
Comissão discute proibição de redes sociais para menores de 16 – Reprodução

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados discutiu, nesta terça-feira (7), o projeto de lei 94/26, que proíbe o acesso de menores de 16 anos às redes sociais. A proposta foi defendida por parlamentares e especialistas como forma de proteção a crianças e adolescentes diante de conteúdos nocivos, cyberbullying, assédio, exploração sexual, discurso de ódio e algoritmos que estimulam o uso excessivo das plataformas.

Autora do texto, a deputada Greyce Elias (PL-MG) afirmou que a medida busca aperfeiçoar o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, a Lei 15.211/25, em vigor desde o ano passado. Segundo ela, a proibição deve vir acompanhada de educação digital para jovens e pais. “Já é para aperfeiçoar o ECA Digital. É necessário a gente proteger, restringir e ao mesmo tempo, de forma paralela, fazer uma educação”, disse.

Em defesa da proposta, a procuradora-geral do Distrito Federal, Diana Ramos, citou as noções de incapacidade absoluta do Código Civil e afirmou que a lei 15.100/25, que restringiu celulares nas escolas, teve impacto positivo no aprendizado, na interação social e em atividades lúdicas entre os alunos. Ela também elogiou a previsão de multa de até R$ 500 milhões para plataformas que descumprirem as restrições.

A coordenadora de educação digital, inovação e conectividade do Ministério da Educação, Ana Fabbro, informou que 92% das escolas já aplicam a restrição de celulares e que 97% concordam que o uso pedagógico de tecnologias digitais contribui para ampliar a participação dos alunos nas atividades pedagógicas. Já a advogada Flávia Lefèvre citou medidas semelhantes adotadas na Austrália, em Portugal e no Reino Unido, além de análises em curso na França e nos Estados Unidos.

Do outro lado, representantes de plataformas e especialistas alertaram para efeitos colaterais da proibição. A diretora de relações institucionais do Conselho Digital, Roberta Jacarandá, afirmou que, na Austrália, 85% dos jovens entre 12 e 15 anos continuam acessando redes sociais por perfis falsos, contas compartilhadas ou VPN. Para ela, isso pode empurrar os adolescentes para uma experiência invisível ao sistema, sem mais segurança.

Roberta defendeu a estratégia prevista no ECA Digital e no decreto 12.880/26, que não adotam proibição total, mas buscam garantir um ambiente seguro para diferentes faixas etárias. No mesmo sentido, Rodrigo Nejm, do Instituto Alana, disse que crianças e adolescentes também devem ser ouvidos na construção de uma realidade digital diferente do “ambiente tóxico” criado pelos adultos, e defendeu fiscalização robusta combinada com educação digital crítica.

O coordenador de acompanhamento regulatório de telecomunicações do Ministério das Comunicações, Renato Oliveira, informou que o Plano Nacional de Inclusão Digital está em elaboração, com publicação prevista até o fim do ano. Segundo ele, o desenvolvimento de competências digitais poderá funcionar como resposta estrutural e complementar às restrições de acesso previstas no projeto.

T LB

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