O que eles mandaram pra lá foram quatro servidores munidos de analisadores de espectro e antenas direcionais de alta sensibilidade. Esse tipo de equipamento naturalmente é usado pela Anatel pra encontrar interferências dentro da radiofrequência usada para coisas específicas. Só que, ao ser mandado para a Venezuela, ele vai em busca de um emissor de radiofrequência que todo mundo tem no próprio bolso, que é o celular. O propósito desses servidores é usar essa antena com ultra sensibilidade para detectar se algum celular está tentando se conectar a uma antena, uma estação de rádio base. A partir daí, eles conseguem detectar a intensidade do sinal, fazer uma triangulação e avisar se tem alguém esperando para ser resgatado ali ou se tem algum corpo que, infelizmente, tem que ser resgatado debaixo daqueles escombros.
Helton Simões Gomes
Helton explica que o ‘caçador de sinal pirata’ pode ser chamado assim, porque, em operações regulares, ele identifica emissores irregulares, muitas vezes aparelhos não homologados, que atrapalham comunicações em frequências sensíveis.
Na prática, o que o Brasil fez foi mandar um ‘caçador de celular pirata’ para a Venezuela para ajudar a encontrar vítimas do maior terremoto em 130 anos do país.
Helton Simões Gomes
Diogo Cortiz ressalta que o caso ilustra a criatividade do brasileiro: uma tecnologia usada em tarefas de fiscalização vira ferramenta de busca em cenário extremo.
O improviso começou ainda no Brasil, durante tragédias locais. Agentes de campo aplicaram o mesmo tipo de equipamento durante as buscas após as chuvas em Minas Gerais no começo do ano e no litoral norte de São Paulo em 2023.
Só nessas duas tragédias, tanto em Minas quanto em São Paulo, foram identificados 70 corpos. A gente tá falando aqui de corpos e não de pessoas vivas, mas é um alívio sem dimensão para os familiares, para os entes queridos que ficam naquela agonia sem saber o que aconteceu.
Helton Simões Gomes








