Após o tarifaço adicional dos Estados Unidos contra parte das exportações do Brasil, a ApexBrasil anunciou um plano de R$ 130 milhões, com lançamento previsto para agosto, para diversificar as vendas do país no exterior e reduzir os efeitos das novas tarifas.
Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a agência informou que a iniciativa será lançada em parceria com 57 setores econômicos, que reúnem 2,4 mil empresas exportadoras. Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, a estratégia amplia o foco sobre novos mercados diante do cenário do comércio internacional.
As prioridades da agência são a União Europeia, em especial por causa do recente acordo com o Mercosul, e os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã. Países da Ásia Central, entre eles Cazaquistão e Uzbequistão, também aparecem como possíveis destinos para as empresas brasileiras afetadas pelas tarifas dos EUA.
Müller afirmou que a diversificação já vem ocorrendo desde as primeiras tarifas impostas pelos Estados Unidos, ainda em 2025. Segundo ele, 72% das 2,4 mil empresas que exportam para os EUA e são apoiadas pela ApexBrasil já diversificaram seus mercados entre junho de 2025 e maio de 2026, com a inclusão de pelo menos um novo destino de exportação.
Na quarta-feira (15), o Escritório do Representante Comercial dos EUA confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, alegando supostas práticas desleais no comércio. O governo brasileiro rejeita as justificativas e afirma que a medida tem motivação política. As novas tarifas valem a partir de 22 de julho.
Durante as negociações, a lista de produtos isentos passou de 615 para 699, elevando o valor livre de tarifas de US$ 20,6 bilhões para US$ 22,8 bilhões, com base nos dados de 2025. Ainda segundo a ApexBrasil, houve no primeiro semestre uma redução de cerca de US$ 2,6 bilhões nas exportações brasileiras para os EUA, compensada por aumentos de US$ 3,1 bilhões para a Europa, US$ 2,5 bilhões para a Índia e US$ 10,5 bilhões para a China.
Além desses mercados, o presidente da agência citou negociações do Mercosul com Índia, Japão e Canadá como oportunidades para reduzir a dependência do mercado estadunidense. Müller também disse que o Brasil vem sendo procurado como um fornecedor estável e que recebeu US$ 77 bilhões em entrada de investimentos no ano passado.
Com informações da Agência Brasil







