O sargento da Polícia Militar Ricardo Lima Nascimento, investigado por agredir e ameaçar de morte um jovem aprendiz de 16 anos dentro de uma loja de autopeças em Catalão, na região Sudeste de Goiás, já havia se envolvido em outra ocorrência violenta na cidade. Em 2024, ele atirou contra um motociclista de 19 anos durante uma abordagem de trânsito.
O caso foi arquivado após o Ministério Público de Goiás concluir que não houve prática de crime por parte do policial. Já a investigação sobre as agressões ao adolescente segue em andamento e o processo foi colocado sob segredo de Justiça. Até a publicação desta reportagem, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) não havia informado qual foi o fundamento legal para restringir o acesso aos autos.
O episódio envolvendo o motociclista ocorreu durante uma blitz realizada pela Polícia Militar. Segundo o registro da ocorrência, equipes deram ordem de parada ao condutor, que inicialmente reduziu a velocidade da moto, mas voltou a acelerar em seguida. De acordo com os policiais, o jovem tentou fugir da fiscalização e avançou na direção de um dos militares.
Foi nesse momento que Ricardo Lima efetuou um disparo, atingindo a perna do rapaz. Após o tiro, o Corpo de Bombeiros foi acionado para prestar socorro à vítima, que recebeu atendimento médico e foi encaminhada ao hospital, onde permaneceu até a recuperação.
O caso foi analisado pelo Ministério Público, que decidiu não apresentar denúncia. O entendimento foi de que o disparo ocorreu diante da situação narrada pelos policiais e que não houve conduta criminosa por parte do militar. Este procedimento também não resultou em denúncia contra o motociclista e acabou sendo arquivado.
Agressão contra o jovem aprendiz
Dois anos depois, o nome de Ricardo Lima Nascimento voltou ao centro de uma investigação, desta vez por causa de imagens que mostram o policial agredindo um adolescente de 16 anos dentro de uma loja de autopeças, também em Catalão.
O caso aconteceu na manhã de quinta-feira (16), quando o jovem, que trabalha como aprendiz, chegava para abrir o estabelecimento. Câmeras de segurança registraram o momento em que uma viatura da Polícia Militar estaciona em frente à loja e o sargento entra no local.
As imagens mostram o policial empurrando o adolescente contra a parede, dando tapas, derrubando no chão, apontando uma arma para ele e fazendo diversas ameaças de morte. Durante a ação, o militar afirma que o jovem o estaria encarando e ainda o acusa de integrar facção criminosa. A vítima nega as acusações e diz repetidas vezes que apenas havia chegado para trabalhar.
O adolescente sofreu ferimentos no rosto, passou por exame de corpo de delito e registrou boletim de ocorrência. Ricardo foi preso em flagrante, mas conseguiu liberdade provisória após o pagamento de fiança de R$ 3 mil. A Justiça também determinou o recolhimento da arma de fogo do policial e proibiu que ele se aproxime a menos de 500 metros do jovem aprendiz.
A Polícia Militar de Goiás informou que instaurou procedimentos administrativos e disciplinares para apurar a conduta do sargento e reiterou que não compactua com desvios de comportamento praticados por integrantes da corporação.
O TJGO foi questionado sobre o motivo de o processo relacionado às agressões contra o adolescente tramitar em segredo de Justiça, mas ainda não respondeu. A defesa de Ricardo Lima Nascimento informou que o policial não pretende se manifestar sobre o caso.
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