Quarta-feira, 22/07/26

Governo deve incluir pessoa física em linha de crédito para compra de tratores, diz associação

Governo deve incluir pessoa física em linha de crédito para compra de tratores, diz associação
Governo deve incluir pessoa física em linha de crédito para – Reprodução

MARCOS HERMANSON
FOLHAPRESS

O governo federal prometeu ao setor privado mudar as regras e destravar a linha de crédito de R$ 14 bilhões anunciada em abril para financiar a aquisição de tratores e outras máquinas agrícolas.

A ideia é contornar uma proibição do estatuto da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), operadora da linha, para permitir a concessão de crédito a pessoas físicas -atualmente, o estatuto da empresa pública permite financiamentos reembolsáveis apenas para pessoas jurídicas.

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) prometeu a mudança a representantes do Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), durante reunião nesta terça-feira (21). “Ele nos garantiu de que vai ser aprovado que a Finep possa financiar pessoa física”, afirmou à reportagem o presidente-executivo da entidade, João Velloso.

A aprovação da medida caberia ao CMN (Conselho Monetário Nacional), órgão deliberativo que reúne o Banco Central, o Ministério da Fazenda e o Ministério do Planejamento. Há uma reunião extraordinária do conselho marcada para esta terça.

Procurado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços não comentou.

A linha de crédito anunciada pelo governo nunca chegou a ser implementada por conta da restrição à participação de pessoas físicas, segundo Velloso, da Abimaq. “A notícia é boa, a última barreira deve ser retirada hoje”.

Essa restrição a pessoas físicas é vista como um entrave para a efetivação da linha, já que muitos produtores rurais tomam crédito como pessoa física, não jurídica.

Alckmin anunciou a linha de crédito para aquisição de máquinas em abril, durante a Agrishow, feira agrícola promovida todo ano em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. “A gente imagina que em três semanas estará liberada, são R$ 10 bilhões para financiar trator, implementos, colheitadeiras, enfim, toda a parte de máquinas agrícolas, pela própria Finep”, afirmou o vice-presidente.

O programa demorou a sair, no entanto, por conta de impasses burocráticos. Como mostrou a Folha de S. Paulo, apenas em maio é que o conselho diretor do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) flexibilizou as regras de concessão do fundo.

Antes da mudança, as regras FNDCT só permitiam que até 25% dos recursos fossem operados por outras instituições financeiras que não a Finep. Os outros 75% deveriam ficar sob gestão da empresa pública.

A mudança foi aprovada em reunião do conselho diretor do FNDCT em 26 de maio, quase um mês após o primeiro anúncio da linha, e vale para valores relativos ao superávit financeiro (receitas arrecadadas pelo fundo, mas não aplicadas em anos anteriores).

Em junho, o vice-presidente anunciou um aumento no valor inicial da linha, que foi de R$ 10 bilhões para R$ 14 bilhões, com juro de 9,2% ao ano. No último dia 16, uma medida provisória abriu crédito extraordinário de R$ 9 bilhões para aporte no FNDCT, para financiar a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas.


T LB

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