Quinta-feira, 23/07/26

Fiscalização reprova um dos maiores frigoríficos da JBS após missão da União Europeia

Fiscalização reprova um dos maiores frigoríficos da JBS após missão da União Europeia
Fiscalização reprova um dos maiores frigoríficos da JBS após missão – Reprodução

Um dos principais frigoríficos da JBS, a unidade exportadora da empresa localizada em Mozarlândia (GO) teve os planos de qualidade reprovados por fiscais do Ministério da Agricultura e Pecuária devido a falhas identificadas por auditoria realizada pela União Europeia.

Conforme informações obtidas pela reportagem, técnicos europeus estiveram no Brasil em maio para avaliar o funcionamento do sistema oficial brasileiro de inspeção sanitária, conduzido pelo ministério. Frigoríficos, laboratórios e outras unidades envolvidas em controles oficiais foram visitados.

A planta da JBS em Mozarlândia, uma das unidades visitadas, é defendida pela companhia controlada pela holding J&F Investimentos, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, como uma das principais “vitrines de exportação” de carne bovina da empresa em todo o mundo. A unidade abate cerca de 2 mil cabeças de gado por dia nas linhas de produção.

Após a conclusão do trabalho pela missão europeia, o SIF (Serviço de Inspeção Federal) do Ministério da Agricultura voltou a avaliar a planta, para checar mudanças em procedimentos sanitários e de produção que o órgão já tinha apontado como necessárias para atender às exigências do bloco europeu. O órgão de controle reprovou a unidade.

Questionada sobre o assunto, a JBS declarou, em nota, que “cumpre rigorosamente os protocolos sanitários” exigidos por todos os mercados em que atua. “Os apontamentos mencionados são pontuais, inerentes à rotina de fiscalização, e não representam risco à segurança dos alimentos nem comprometem a qualidade do produto final”, declarou a companhia.

A reportagem questionou o Ministério da Agricultura sobre o assunto por e-mails enviados na terça e quarta-feira (22). Não houve resposta do ministério até a publicação desta reportagem.

Em um atestado de reprovação formalizado em 1º de julho, a fiscalização aponta que as falhas da planta estão ligadas a “deficiências identificadas durante a missão da União Europeia”, sendo boa parte delas recorrentes.

Uma das críticas diz respeito ao carimbo oficial de salubridade. O Serviço de Inspeção Federal usa o carimbo para certificar as carnes destinadas à exportação. Os fiscais apontam que há falhas no processo que garanta a manutenção do carimbo após etapas como lavagem das carcaças e aplicação de produtos nas câmaras de resfriamento da unidade.

A deficiência no controle de pragas, como a falta de monitoramento de armadilhas para moscas, é outro problema mencionado. Os agentes da Agricultura criticam, ainda, o controle de processos sobre partes dos animais que a exigência sanitária determina separar e descartar, além de falhas na organização para o processamento de vísceras dos animais.

Além de questões operacionais, o SIF critica a gestão da qualidade da empresa. “Nota-se a falta de análise crítica por parte da Garantia da Qualidade ao validar as medidas propostas”, afirma a fiscalização. “A validação de planos de ação superficiais, que não investigam a causa raiz das não conformidades, tem resultado na recorrência dos desvios”.

A reportagem teve acesso a laudos. Em uma das manifestações, o SIF fala de “ausência de medidas preventivas que atuem na causa raiz [dos problemas], de forma que garanta o cumprimento integral da legislação do mercado europeu”.

O apontamento já tinha ocorrido em junho, em ao menos outras duas manifestações, indicando que, na avaliação dos fiscais, as ações e respostas dadas pela empresa continuavam insuficientes.

Nesta semana, em 20 de julho, a fiscalização voltou a reprovar o “plano de ação da unidade”, ao afirmar que a JBS não tinha sanado a maioria das falhas apontadas e que recorria regularmente à promessa de treinar seus funcionários como solução dos problemas.

Apesar das sucessivas reprovações desde o início deste ano, o ministério não suspendeu as exportações da planta nem aplicou sanções.

As normas da pasta, porém, preveem que diante de não conformidades relevantes em estabelecimentos habilitados para envio ao exterior, o Departamento de Inspeção de Produtos de

Origem Animal pode determinar, conforme a gravidade do caso, a suspensão cautelar da habilitação para exportar, total ou parcial, até que as falhas sejam sanadas.

Em maio, a China autorizou a unidade da JBS em Mozarlândia a retomar as exportações depois de ficar temporariamente suspensa desde março de 2025 devido a questionamentos sobre o sistema sanitário.

Em julho do ano passado, a unidade foi autorizada a exportar carne para o Vietnã, fazendo o primeiro embarque de carne bovina àquele país.

O endurecimento da fiscalização do Ministério da Agricultura ocorre em um momento em que a União Europeia amplia exigências sanitárias e ambientais para a importação de alimentos. Além dos controles tradicionais sobre segurança dos produtos, o bloco reforça auditorias sobre o funcionamento dos sistemas de inspeção dos países exportadores.

Este movimento ocorre após o veto europeu à importação de carne brasileira, oficializado em maio e sem data para ser revisto. Quando o Brasil conseguir demonstrar que se adequou às regras sanitárias, os embarques serão novamente autorizados.

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *