Sexta-feira, 24/07/26

Dólar abre perto da estabilidade após novas tarifas dos EUA sobre Brasil

Dólar abre perto da estabilidade após novas tarifas dos EUA sobre Brasil
Dólar abre perto da estabilidade após novas tarifas dos EUA – Reprodução

O dólar abriu perto da estabilidade nesta sexta-feira (24) com os investidores avaliando o impacto das novas tarifas aplicadas sobre o Brasil de 12,5% pela fiscalização frouxa no combate ao trabalho escravo.

Em 22 de julho, o governo norte-americano iniciou a cobrança de uma taxa de 25% sobre vários produtos brasileiros em função de práticas comerciais supostamente desleais do país. Além do Brasil, os EUA aplicaram tarifas entre 10% a 12,5% a outros 58 países e a União Europeia pelo trabalho escravo.

Às 9h42, a moeda norte-americana tinha variação negativa de 0,03%, cotada a R$ 5,0827. Na quinta-feira (23), o dólar fechou em alta de 0,62%, a R$ 5,084, enquanto a Bolsa encerrou o dia em queda de 0,46%, aos 176.723 pontos.

Durante o dia, investidores acompanharam os desdobramentos da escalada do conflito entre EUA e Irã no Oriente Médio.

Ao longo do pregão, o mercado acionário brasileiro foi pressionado pelas ações do setor bancário, que recuaram em meio ao aumento da aversão ao risco. Na direção oposta, as petrolíferas brasileiras avançaram, acompanhando a alta do petróleo.

O agravamento do conflito aumenta a cautela dos investidores e diminui a busca por ativos de mercados emergentes. A guerra também sustenta os preços do petróleo em patamares elevados.

Na quinta, o barril do Brent, referência mundial do petróleo, voltou a avançar com mais intensidade. Na máxima do dia, chegou a US$ 101,99 —alta de 8,41%. É o maior valor desde 20 de maio, quando a cotação alcançou US$ 102,24.

A alta dos preços refletiu uma nova rodada de ações militares dos Estados Unidos contra o Irã na noite de quarta-feira. Donald Trump disse estar “considerando um ataque maciço, maior do que nunca” contra a teocracia.

Os houthis, grupo militante do Iêmen aliado do Irã, também atacaram embarcações que tentavam chegar à Arábia Saudita pelo Mar Vermelho. A rota se tornou estratégica para o escoamento do petróleo após o início do conflito no Golfo Pérsico.

“[Os preços do petróleo] voltam a se aproximar de níveis que podem pressionar a inflação. Isso preocupa principalmente do ponto de vista do crescimento econômico e leva os investidores a adotar posições mais cautelosas”, afirmou Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.

A alta do petróleo impulsionou as ações das petroleiras brasileiras. Os papéis preferenciais e ordinários da Petrobras subiram 0,86% e 1,67%, respectivamente.

“O principal movimento é uma forte entrada de fluxo em ações ligadas a commodities. Com o petróleo alcançando os US$ 100 por barril, as petrolíferas avançam, principalmente Petrobras e Prio, que têm peso relevante no índice”, afirma Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

O bloco de bancos, contudo, pressionou o índice. O BTG liderou as perdas do setor, com recuo de 1,26%.

A valorização do petróleo reforça os temores de aceleração da inflação. Com dificuldades para o escoamento da commodity, os preços dos derivados refinados —como gasolina, diesel e querosene de aviação— tendem a subir.

Por enquanto, o governo brasileiro tem subsidiado os combustíveis para evitar que o repasse chegue aos consumidores.

O cenário repercutiu também no mercado de juros futuros. A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 subiu para 14,370%, alta de 15 pontos-base em relação ao ajuste de 14,218% da sessão anterior.

As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos.

A maior aversão ao risco fortalece o dólar tanto no Brasil quanto no exterior. Por volta das 17h, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, avançava 0,30%, aos 101,42 pontos.

O dólar é a principal moeda de reserva global. Já os Treasuries, títulos da dívida pública americana, são considerados um dos ativos mais seguros do mundo, o que costuma atrair investidores em momentos de maior incerteza.

Desde o início do conflito, em fevereiro, o DXY tem valorização de 3,88%.

As medidas comerciais dos Estados Unidos também estiveram no radar do mercado. Nesta quarta-feira (22), começou a cobrança de uma tarifa de 25% sobre um conjunto de produtos brasileiros, em decisão que atinge cerca de 3.000 itens. A medida é resultado de uma investigação sobre práticas comerciais consideradas injustas.

O governo americano também deve anunciar, nesta quinta-feira, novas alíquotas para substituir a tarifa global de 10%, informou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.

“A expectativa não provocou um movimento identificável nos ativos. Isso pode mudar quando o anúncio for oficializado e os detalhes ficarem claros, como a possibilidade de a nova cobrança ser cumulativa com os 25% já em vigor”, afirmou Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.

No exterior, os resultados do segundo trimestre da Alphabet e da Tesla pressionaram os mercados de ações.

Os lucros da empresa de Elon Musk caíram 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 1,2 bilhão (R$ 6 bilhões) nos três meses encerrados em junho, bem abaixo da expectativa de Wall Street, de US$ 1,9 bilhão (R$ 9,9 bilhões).

A Alphabet, por sua vez, queimou caixa no segundo trimestre pela primeira vez em décadas. A empresa informou que o fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 5,9 bilhões (R$ 29,8 bilhões), após ampliar pela segunda vez neste ano seus investimentos em data centers e outros equipamentos voltados para inteligência artificial.

Nos EUA, a Nasdaq caiu 2,15%, o S&P 500 recuou 1,41% e o Dow Jones perdeu 0,97%.

T LB

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