Sábado, 25/07/26

Estudante de Trindade presa por suspeita de golpe é solta

Estudante de Trindade presa por suspeita de golpe é solta
Estudante de Trindade presa por suspeita de golpe é solta – Reprodução

A estudante de Direito Ellen Lorraine Trindade Mateus, de 27 anos, deixou a Penitenciária Feminina de Aparecida de Goiânia nesta sexta-feira (24), após a Justiça do Amapá revogar sua prisão preventiva. Apesar da decisão, a Polícia Civil do Amapá afirmou que a investigação sobre o suposto esquema de estelionato continua e negou que tenha ocorrido erro de identificação. Em entrevista concedida nesta sexta, o delegado Breno da Costa afirmou que o inquérito seguirá até a conclusão da apuração, com análise de todos os elementos reunidos, e destacou que a prisão dos investigados interrompeu a continuidade dos golpes, que já teriam feito aproximadamente 300 vítimas.

Segundo o delegado, a investigação ainda está em andamento e todos os elementos produzidos durante o inquérito seguem sendo analisados.

“A investigação, o inquérito policial, precisa continuar até o final de toda investigação. Estão sendo apurados todos os elementos de informação produzidos, apreendidos, depoimentos, para ao final chegar uma conclusão sobre a autoria e a materialidade do fato investigado”, afirmou.

Breno da Costa também explicou que a prisão dos investigados foi determinada pela Justiça para impedir que o esquema criminoso continuasse em funcionamento.

“A prisão de toda organização foi decretada pelo Judiciário para evitar que o golpe continuasse ocorrendo. E até o momento não tivemos nenhum registro sobre esse golpe com a concessionária de energia aqui no Estado desde a prisão deles. O que demonstra a eficácia da medida, considerando que foram aproximadamente 300 vítimas desse golpe.

O delegado acrescentou que, após a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público do Amapá, que decidirá sobre eventual denúncia à Justiça.

“A investigação continua até para que ela possa ser finalizada e assim ser analisada pelo MP e, posteriormente, havendo denúncia, pelo Poder Judiciário.”

Justiça revogou prisão preventiva

Moradora de Trindade, Ellen havia sido presa no dia 2 de julho, durante o cumprimento de um mandado expedido pela Justiça do Amapá no âmbito da operação que investiga uma organização suspeita de aplicar golpes envolvendo a Equatorial Energia.

Após permanecer 21 dias presa, ela foi colocada em liberdade por decisão judicial. Ao revogar a prisão preventiva, a magistrada entendeu que a semelhança entre os nomes das investigadas, somada à ausência de indícios de recebimento de valores ou de contato da estudante com os demais investigados, não era suficiente para justificar a manutenção da medida cautelar.

Defesa fala em erro de identificação

A defesa sustenta que Ellen foi vítima de um erro de identificação e afirma ter colaborado com as investigações ao entregar voluntariamente o celular da estudante, senhas bancárias e outros documentos.

Segundo os advogados, a família também apresentou informações para demonstrar que a jovem não possui qualquer ligação com a organização criminosa investigada.

Em entrevista à TV Anhanguera enquanto Ellen ainda estava presa, o pai da jovem, João Vilmar, afirmou que a filha estava “pagando por um crime que não cometeu”.

Já a mãe, Iris Alves, disse que a estudante foi criada em um lar cristão e nunca teve envolvimento com atividades criminosas. “É uma menina de bem, foi criada com princípios. Pegaram o nome da minha filha, arrumaram um nome e jogaram para cima dela”, afirmou.

Polícia Civil nega erro e mantém investigação

Em nota, a Polícia Civil do Amapá negou que tenha ocorrido troca de nomes ou erro de identificação e afirmou que Ellen foi individualizada durante a investigação.

De acordo com a corporação, tanto a prisão preventiva quanto os mandados de busca e apreensão foram expedidos após representação da autoridade policial, manifestação favorável do Ministério Público e decisão do Poder Judiciário.

Segundo as investigações, Ellen Lorraine seria responsável pela criação de anúncios falsos na internet para atrair clientes da Equatorial Energia, concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica no Amapá.

A Polícia Civil informou ainda que os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Ministério Público diz que processo corre sob sigilo

O Ministério Público do Amapá informou que o procedimento tramita sob sigilo judicial e que sua atuação limitou-se à análise técnica dos elementos apresentados durante a investigação, além da manifestação sobre as medidas cautelares solicitadas.

O órgão acrescentou que os argumentos apresentados pela defesa serão analisados ao longo do processo, observando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.

Dois investigados seguem foragidos

Enquanto Ellen responde ao processo em liberdade, outros dois investigados permanecem foragidos. São eles os goianos Marcos Vinicius Souza Takahashi e Mauro Mayer de Castro Oliveira, apontados pela investigação como integrantes do grupo suspeito de aplicar golpes contra consumidores da concessionária de energia no Amapá.

*Com informações do G1

T LB

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