Terça-feira, 04/08/26

TJ suspende investigação sobre suposta venda de cargos envolvendo presidente da Câmara de Curitiba

TJ suspende investigação sobre suposta venda de cargos envolvendo presidente da Câmara de Curitiba
TJ suspende investigação sobre suposta venda de cargos envolvendo presidente – Reprodução

CATARINA SCORTECCI
FOLHAPRESS


Uma decisão liminar do Tribunal de Justiça do Paraná suspendeu temporariamente uma investigação envolvendo o presidente da Câmara de Curitiba, Tico Kuzma (PSD). Ele era alvo do Ministério Público sob suspeita da prática de venda de cargos públicos na estrutura do Poder Executivo municipal e de “rachadinha”, quando o político exige parte do salário de servidores para benefício próprio.

A reportagem procurou o Ministério Público, que informou nesta segunda-feira (3) por meio de nota que “somente irá se manifestar após a decisão de mérito”.

A liminar (decisão provisória) foi assinada em 7 de julho pela desembargadora Priscilla Placha Sá, que acolheu pedido da defesa do vereador. No mérito, o político pede o encerramento definitivo da investigação.

O conteúdo da decisão não foi divulgado pelo TJ, já que o caso tramita em sigilo.

Em nota à imprensa, a defesa do vereador sustenta que a decisão ocorre porque “os fatos relatados na denúncia anônima não foram confirmados pelas diligências”.

Disse ainda que a investigação não obteve “provas mínimas necessárias para justificar medidas graves”, como a quebra do sigilo bancário do vereador, por exemplo.

“O vereador continuará exercendo normalmente suas funções como presidente da Câmara Municipal de Curitiba, colaborando com as autoridades e aguardando, com tranquilidade e confiança, a decisão definitiva da Justiça”, segue a nota.

Aliado do prefeito Eduardo Pimentel (PSD), Kuzma está em seu sexto mandato na Câmara de Curitiba.

A investigação veio à tona em 29 de junho, quando o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), braço do Ministério Público, deflagrou uma operação para cumprir 13 mandados de busca e apreensão em endereços de servidores públicos e do vereador, incluindo seu gabinete na Câmara.

Segundo o Gaeco, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, celulares, documentos e anotações. Na casa de um servidor, também foram apreendidos R$ 37.550 em espécie.

A promotora de Justiça Nicole Pilagalo, responsável pela investigação, explicou na época que uma pessoa procurou as autoridades há cerca de um ano para relatar que o vereador, logo que assumiu o atual mandato, teve a possibilidade de fazer indicações a cargos na estrutura da prefeitura e se aproveitou disso para cobrar pelos postos.

“Ao fazer essas nomeações, segundo o relato que recebemos, ele solicitava um determinado valor das pessoas interessadas em ocupar o cargo. Em torno de R$ 3.000 por cargo”, disse ela. Além da suposta “venda” do cargo, os nomeados no Executivo também passavam a destinar parte dos seus salários ao parlamentar.

A prática da rachadinha também pode ter acontecido no gabinete do vereador na Câmara. “A nossa hipótese de investigação é a existência de rachadinha nos cargos da Câmara ligados a ele [Tico Kuzma] e nos cargos do Executivo que foram nomeados por indicação dele. Mas a investigação está em curso, em sigilo, e ainda será aprofundada, para confirmar a procedência da denúncia”, afirmou a promotora à imprensa, logo após a operação.

Na ocasião, a Prefeitura de Curitiba disse que estava à disposição das autoridades para prestar as informações necessárias.

“Confirmada qualquer irregularidade envolvendo servidores municipais, a prefeitura determinará o imediato afastamento dos envolvidos e adotará todas as medidas administrativas e legais cabíveis, com absoluto rigor e respeito ao devido processo legal”, declarou o Executivo, em nota.

A prefeitura também afirmou na época que as nomeações para cargos em comissão no Poder Executivo “seguem critérios técnicos e administrativos, voltados às necessidades da gestão pública, e não há qualquer tolerância com condutas que desvirtuem esse processo”.


T LB

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