Quarta-feira, 05/08/26

Gravidez na infância interrompe estudos e autonomia de meninas, aponta pesquisa

Gravidez na infância interrompe estudos e autonomia de meninas, aponta pesquisa
Gravidez na infância interrompe estudos e autonomia de meninas, aponta – Reprodução

A gravidez na infância ou na adolescência interrompeu os estudos de 61% das jovens ouvidas em uma pesquisa realizada pela organização não governamental Plan Brasil. O estudo, intitulado “Marcas do Tempo: Gravidez na Infância ou Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil”, também aponta efeitos sobre a trajetória profissional e relatos de discriminação em diferentes etapas da vida.

A pesquisa ouviu mais de 1,5 mil mulheres de 19 a 29 anos, em todas as regiões do Brasil, e comparou dois grupos: as que engravidaram na infância ou adolescência e as que não passaram por essa experiência. Entre as entrevistadas que não engravidaram cedo, o percentual de interrupção dos estudos cai para 33%.

Segundo os resultados, 83% disseram já ter deixado um trabalho ou perdido uma oportunidade profissional por precisar cuidar dos filhos. O estudo também ressalta que 73% relatam ter sido discriminadas por causa da gravidez, seja na família, na escola ou em serviços de saúde.

A Plan Brasil afirma que a gravidez na infância ou adolescência aprofunda desigualdades já existentes. Para a CEO da organização, Cynthia Betti, as jovens enfrentam barreiras acumuladas na educação, na saúde, no mercado de trabalho e no exercício de direitos básicos.

A pesquisa destaca ainda que 59% das jovens que engravidaram antes dos 19 anos passaram a viver em casamento ou união logo após a primeira gestação. O levantamento identifica também um aumento de 19 pontos percentuais na chance de casamento antes dos 16 anos entre esse grupo.

Entre as jovens que engravidaram antes dos 14 anos, metade não teve a possibilidade de interrupção legal da gestação nos serviços de saúde. A legislação brasileira considera que toda gravidez em menores de 14 anos é resultado de estupro de vulnerável.

No fim do estudo, a Plan Brasil defende a adoção de políticas públicas integradas de prevenção e apoio, com monitoramento e orçamento, além de educação sexual baseada em direitos, acesso descomplicado a métodos contraceptivos, universalização de creches com horários compatíveis com a rotina de estudo e trabalho, combate à violência obstétrica e à coerção contraceptiva, e políticas de primeiro emprego voltadas especificamente para jovens mães.

Com informações da Agência Brasil

T LB

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