Quinta-feira, 06/08/26

JPMorgan lança ETF de gestão ativa com foco em tecnologia dos EUA na B3

JPMorgan lança ETF de gestão ativa com foco em tecnologia dos EUA na B3
JPMorgan lança ETF de gestão ativa com foco em tecnologia – Reprodução

A JPMorgan Asset Management lançou o JTEK39, um ETF ativo com foco em empresas de tecnologia dos Estados Unidos. O produto é o segundo fundo do tipo da gestora listado na B3 e chega em um momento em que o investimento começa a ganhar espaço no mercado brasileiro.

Os ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos de investimento com cotas negociadas em Bolsa. A maior parte dos produtos disponíveis hoje apenas replica um índice de referência, como o Ibovespa ou o S&P 500. No caso dos ETFs ativos, porém, o gestor tem liberdade para escolher os ativos da carteira e buscar um desempenho superior ao da referência.

Hoje, a regulamentação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) prevê apenas os ETFs passivos. Os dois ETFs ativos da JPMorgan foram lançados após a gestora obter uma isenção da autarquia, enquanto uma norma definitiva para essa modalidade ainda está em discussão.

Em fevereiro deste ano, a JPMorgan lançou o JEPI39, BDR (Brazilian Depositary Receipt, certificado que representa um ativo negociado no exterior) de um ETF ativo da gestora. O produto foi desenvolvido para combinar geração de renda com exposição ao mercado acionário americano. Ele busca capturar parte dos retornos do S&P 500 com menor volatilidade.

No novo ETF, a aposta da gestora está voltada ao setor de tecnologia. Cerca de 75,5% da carteira do JTEK39 está alocada em empresas de tecnologia, enquanto o restante está distribuído entre setores relacionados.

A estratégia reúne entre 50 e 70 ações e procura reduzir a concentração nas “Magnificent Seven” (Microsoft, Apple, Nvidia, Alphabet, Amazon, Meta e Tesla).

Enquanto essas sete empresas representam cerca de 32% do índice S&P 500, por exemplo, apenas 13% da carteira do JTEK39 está concentrada nelas.

Com isso, o fundo também investe em empresas de tecnologia de médio e pequeno porte e em companhias que possam se tornar as próximas líderes do setor.

A JPMorgan Asset Management administra atualmente US$ 4,6 trilhões em estratégias de gestão ativa. Segundo dados apresentados pela gestora em encontro com jornalistas, os ETFs ativos responderam por 37% dos fluxos destinados a ETFs nos Estados Unidos em 2026.

As projeções da empresa indicam que o patrimônio global da indústria de ETFs pode alcançar US$ 35 trilhões até 2030.

Para Giuliano de Marchi, chefe da JPMorgan Asset Management para a América Latina, o mercado brasileiro deve seguir trajetória semelhante à observada nos Estados Unidos após a aprovação da “ETF Rule”, norma editada pela SEC (Securities and Exchange Commission), equivalente à CVM americana, em 2019.

A regra simplificou o processo de lançamento de ETFs e permitiu a expansão desse mercado no país.

Na avaliação do executivo, os ETFs devem ganhar espaço na indústria de fundos da mesma forma que outras tecnologias substituíram formatos mais antigos.

De Marchi afirma também que um ETF costuma ter custo menor do que um fundo tradicional por exigir uma estrutura operacional mais simples.

O JTEK39 já pode ser negociado na B3 por investidores em geral. As cotas são negociadas em torno de R$ 50 e a taxa de administração é de 0,65% ao ano.

O lançamento oficial do produto para clientes será realizado nesta quinta-feira (6), na sede do JPMorgan, na avenida Faria Lima, em São Paulo. Durante a cerimônia, a B3 realizará o tradicional toque do sino que marca simbolicamente a estreia de um ativo na Bolsa. Segundo executivos da gestora, será a primeira vez que o evento ocorrerá fora da sede da B3.

O lançamento ocorre em um momento de expansão do mercado brasileiro de ETFs. A B3 encerrou junho com 204 ETFs listados, ante os 175 produtos disponíveis no fim de 2025.

Além da ampliação da oferta de produtos, os ativos sob gestão dos ETFs listados na B3 quase triplicaram nos últimos dois anos, alcançando cerca de R$ 116 bilhões (US$ 22,8 bilhões). Gestoras como BTG Pactual Asset Management e Itaú Asset Management estão entre as que expandiram suas operações nesse segmento.

T LB

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