O fenômeno climático El Niño não deve ter um grande impacto na ativação de seguros do agronegócio, calcula o Bradesco.
“Se exceder o que a gente imagina, vai entrar na faixa do ressegurador. Temos uma boa proteção, um bom painel de resseguradores, então não esperamos um aumento sensível de sinistralidade, tanto que temos feito uma ação com corretores, e dentro da rede, para que eles provoquem os seus clientes, sejam eles pessoas físicas ou pessoas jurídicas, para ter mais proteção securitária”, disse Ney Ferraz Dias, CEO da Bradseg, braço de seguros do banco, nesta quinta-feira (6).
O executivo afirmou que o fenômeno que aumenta as temperaturas e favorece temporais também é uma oportunidade, já que apenas 17% dos lares brasileiros têm seguro e só 3% possuem cobertura de alagamento e vendaval, que são coberturas adicionais.
Segundo Dias, outro fator que mitiga o risco para o negócio é a diversificação de clientes pelo território brasileiro.
“Nosso esforço neste momento é ter uma disseminação maior para que que possamos ter mais diluição de risco. Estamos preparados para absorver mais risco nesse sentido”, afirmou Dias.
O setor vem de um contexto difícil há anos, com juros altos, queda do preço de grãos e aumento no custo de fertilizantes. A dificuldade levou produtores a entrarem em recuperação judicial, prejudicando o balanço de bancos.
“O agro está passando por um ciclo que não é bom. Estamos vendo uma inadimplência maior dentro do mercado brasileiro”, disse Marcelo Noronha, CEO do Bradesco.
O presidente do banco também afirmou que a própria valorização do real tem certo prejuízo sobre certas culturas exportadoras.
“Temos um mercado um pouco pior, mas é um mercado que a gente acredita muito. Vemos muita chance de recuperação e crescimento”, completou Noronha.
Dado o ciclo mais difícil, o banco está com um apetite moderado para empréstimos ao setor, priorizando linhas com garantia.
“Agora, há dentro do agribusiness muita gente que está muito bem, muito capitalizado e que está aproveitando a oportunidade para fazer algumas aquisições. Isso ajuda inclusive quem está vendendo”, afirmou o CEO.
Em meio a um cenário de juros e comprometimento de renda altos, o Bradesco conseguiu expandir sua carteira de crédito e teve um lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no segundo trimestre deste ano, alta de 16,2% em comparação com o segundo trimestre de 2025. Em relação ao início deste ano, o resultado foi 3,5% maior.
RAIO-X | BRADESCO
- Fundação: 1943, em Marília (SP)
- Lucro líquido no 2º trimestre de 2026: R$ 7,1 bilhões
- Agências bancárias: 1.844
- Funcionários: 79,7 mil
- Clientes: 74,1 milhões
- Principais concorrentes: Banco do Brasil, Itaú, Santander e Nubank








