Sexta-feira, 07/08/26

Sociedade civil tenta diálogo com presidenciáveis para tentar emplacar pautas de servidores

Sociedade civil tenta diálogo com presidenciáveis para tentar emplacar pautas de servidores
Sociedade civil tenta diálogo com presidenciáveis para tentar emplacar pautas – Reprodução

Entidades da sociedade civil que pesquisam e advogam por mudanças no serviço público tentam aproveitar o período eleitoral para criar oportunidades de interlocução com candidatos ao Executivo e Legislativo e criar circunstâncias favoráveis às pautas sobre o tema na próxima legislatura.

Elas adotam diferentes estratégias como conversas com representantes das campanhas, comunicação direta com o eleitor e monitoramento do discurso dos políticos.

A República.org, por exemplo, publicou um documento com 20 diagnósticos e propostas sobre a gestão de pessoas na administração pública brasileira. Entre as ideias estão a criação de mecanismos de avaliação de desempenho dos servidores, simplificação de carreiras no funcionalismo, combate aos supersalários e aumento da transparência sobre dados de gênero e raça entre os servidores.

Segundo a diretora-executiva Isadora Modesto, a entidade procurou representantes das principais campanhas presidenciais e, até o momento, não recebeu nenhuma recusa. Ela afirma que as conversas com algumas candidaturas avançaram mais e que houve reuniões com coordenadores de planos de governo.

Modesto afirma que a gestão de servidores é um tema invisível para a população e, por isso, pouco aparece nas campanhas. No entanto, ela diz que a próxima gestão precisará enfrentar o assunto.

“Algumas campanhas focam inovação e diversidade no concurso público; outras priorizam o combate a privilégios, como os supersalários. No geral, há um movimento para profissionalizar o serviço público, o que exige rever a seleção, o recrutamento e o desempenho dos servidores. A avaliação de desempenho ainda é um tema evitado pelos governos devido à resistência da própria categoria.”

Já o combate a privilégios é apontado por ela como mais urgente, por distorcer a legitimidade das instituições públicas. A diretora-executiva do República.org cita a resistência de setores como a magistratura e o Ministério Público como o principal obstáculo aos avanços nessa frente.

O Movimento Pessoas à Frente também deverá lançar um guia com propostas aos candidatos, com foco na liderança no setor público. Jessika Moreira, diretora-executiva da entidade, afirma que uma das vantagens do projeto é que a maioria das propostas não depende de alteração constitucional e pode ser implementada já no início do ciclo de gestão que começa em 2027.

Em julho, o grupo lançou o site Observatório da Reforma Administrativa, um desdobramento das articulações em torno do projeto de lei discutido no ano anterior.

A Transparência Brasil coordena o movimento Ninguém Acima da Lei, uma coalizão pela integridade do Judiciário que reúne a própria República.org, o movimento Orçamento Bem Gasto, o Pessoas à Frente, o Pacto pela Democracia e o G26 (grupo informal de empresários).

Segundo Juliana Sakai, diretora-executiva da Transparência Brasil, a ideia é concentrar a atenção nas eleições para o Senado, Casa responsável por processar eventuais pedidos de impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

“Nós nos colocamos como uma coalizão da sociedade civil pela integridade do Judiciário”, diz Sakai. O objetivo declarado não é fazer campanha diretamente com o eleitor, mas ajudá-lo a entender o papel de um senador e alertar para os riscos da banalização do impeachment.

Felipe Angeli, da Plataforma Justa, parte de um diagnóstico mais cético sobre a eficácia de entregar documentos com propostas às campanhas. Para ele, o impacto real de “agendas” sobre os eleitores no processo eleitoral tem sido baixo.

A Justa, contudo, pretende municiar com argumentos os candidatos alinhados às ideias do instituto –por exemplo, aqueles que se contrapõem a discursos de segurança pública inspirados no modelo do salvadorenho Nayib Bukele.

T LB

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