Terça-feira, 17/03/26

Redução de tarifas dos eua: entenda o impacto para o brasil

G1

Os Estados Unidos anunciaram uma redução nas tarifas de importação incidentes sobre aproximadamente 200 produtos alimentícios, impactando diretamente as exportações brasileiras. A medida, divulgada na última sexta-feira (14), diminui as taxas para o Brasil de 50% para 40%.

A decisão afeta as tarifas de reciprocidade, um imposto de 10% imposto anteriormente por Donald Trump em abril. Produtos como café, carne, açaí e manga estão entre os principais itens afetados pela mudança.

Apesar da diminuição, exportadores e representantes da indústria manifestaram preocupação com a competitividade do Brasil em relação a outros países. Segundo Marcos Matos, do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), muitos concorrentes já possuem acordos bilaterais favoráveis com os EUA ou enfrentam taxas menores, colocando o Brasil em desvantagem. Colômbia e Etiópia, por exemplo, já contavam com taxas de 10% antes da mudança.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) ressalta que a medida de Trump se aplica a 80 itens agrícolas brasileiros, mas apenas quatro (três tipos de suco de laranja e castanha-do-pará) ficam totalmente isentos de tarifas. Os demais, incluindo carne bovina e café, permanecem sujeitos a uma taxa de 40%.

O vice-presidente Geraldo Alckmin reconheceu que a redução é um passo na direção correta, mas enfatizou que o governo brasileiro continuará trabalhando para eliminar a distorção existente. Alckmin mencionou a importância da conversa entre o presidente Lula e Trump nas negociações.

De acordo com o governo, a diminuição de 10% aumentou o percentual de produtos brasileiros isentos de tarifas adicionais de 23% para 26%, representando cerca de US$ 10 bilhões em exportações.

O governo brasileiro tem buscado flexibilizar as tarifas com os representantes do comércio norte-americano. Um momento importante ocorreu em outubro, durante uma reunião bilateral entre Lula e Trump, na Malásia.

Durante o encontro, Lula argumentou que a imposição de tarifas ao país não tinha base técnica, destacando que os EUA têm superávit na balança comercial com o Brasil. O presidente propôs um cronograma de negociações entre as equipes brasileira e norte-americana. Trump concordou, e as equipes se reuniram para discutir o assunto. Lula também solicitou a revogação de sanções a autoridades brasileiras e reforçou o pedido para manter a América do Sul como zona de paz, oferecendo-se como interlocutor com a Venezuela. Os dois presidentes combinaram visitas recíprocas.

Fonte: g1.globo.com

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